segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Jesus, o poder do aconselhamento

Gosto muito de uma frase de uma certa música que diz: "O que Cristo oferece, ele é". A música se refere a Jesus e como sua entrada na nossa vida altera tudo. Mas não é o que ele faz ou traz, mas que ele é que opera a mudança que matam a sede a curam as vistas.

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Gosto da frase porque creio que ela resume bem muito do que queremos oferecer às pessoas como coisas, mas que estão personificadas em Jesus Cristo. O lamentável desse situação é que inúmeras vezes desejamos os efeitos da presença de Cristo, mas não queremos o relacionamento com ele que efetua tais efeitos. Mas como conselheiros bíblicos não podemos esquecer que a riqueza, beleza e grandiosidade do trabalho que empreendemos ministrando a Palavra de Deus aos particulares da vida particularmente (pois publicamente chamamos de "pregação"), não reside em técnicas, dicas ou novos hábitos. Toda a excelência está Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Col 2:2-3).

Então, vamos passar por algumas coisas que o aconselhamento oferece, não como coisas, mas como os efeitos da presença de Cristo na nossa experiência. Muito mais poderia ser dito, pois aqui não vou vasculhar os Salmos, que por exemplo, nos traria tanta informação que tornaria o texto inviavelmente extenso para o nosso propósito. Ainda assim, te convido a ver como o que Cristo oferece, ele é:

As pessoas procuram por aconselhamento porque muitas vezes elas precisam de esperança. Sejam as lutas que podem ter se prolongado, ou derrotas que nos querem fazer crer que nosso caso não tem solução, ou o que mais opera para lhe roubar a esperança, tem horas que tudo o que precisamos é aquele fio de esperança que nos encoraja a prosseguir. Pois bem, Paulo escrevendo ao Timóteo se apresenta em nome de "Cristo Jesus, nossa esperança" (1 Tim 1:1). Se queremos oferecer às pessoas esperança, então não podemos dissocia-la daquele que a dá. Quando apresentamos Cristo Jesus às pessoas, oferecemos a elas esperança.

Mas quem precisa daquele descanso, daquela paz vinda de Deus, que sabemos excede todo entendimento (Fp 4.7). Como ofertar paz, quando muito do que dela depende não está sob nosso controle, e às vezes nem sob o da pessoa que dela tanto precisa? É confortador saber que podemos apresentar Jesus Cristo, não somente como aquele que "vai trazer" a paz, como algo diferente de si mesmo, ou como um efeito secundário de sua presença. Apresentamos Jesus, "porque ele é a nossa paz", diz o apóstolo Paulo em Efésios 2:14. Mas do que ofertar paz, oferecemos o conhecimento e o relacionamento com aquele é a nossa paz, e pode ser a dele também.

Aos perdido, não damos mapas ou direções simplesmente, mas as apresentamos àquele que é "o caminho, e a verdade, e a vida" (Jo 14:6). E veja que, por consequência, nele encontramos a verdade para o enganado, e vida para quem antes estava morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Lembremos que esta vida, eterna e bendita, é o resultado da ressurreição, que não apenas nos é apresentada como um fato a ser operado em nós no futuro, mas como algo de que nos apropriamos tão logo desfrutamos de um relacionamento íntimo com Cristo, que é "a ressurreição e a vida"; e assim cremos quando o Senhor Jesus diz de si: "Quem crê em mim, ainda que morra, viverá! (John 11:25).

Há também aqueles que precisam de pão para o vazio existencial inquietante que experimentam. Não podemos oferecer só que Jesus ensinou, como muitos ainda insistem na tentativa. Os valores, ensinos e conselhos de Jesus não estão dissociados de sua pessoa. Quando ofertou pão à multidão faminta, percebeu que eles se interessavam mais no pão em si do que em sua pessoa. O esclarecimento veio: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente" (John 6:35,51). Se quisermos dar desse pão, temos que apresenta-lo pessoalmente, na pessoa de Cristo.

E por fim, do muito que se poderia dizer a respeito do Salvador e Senhor Jesus Cristo, gostaria de lembrar-nos de que por mais que ele tenha nos permitido compartilhar da nobreza que o nome carrega, somos pastores de almas que operam sob a tutela e missão do verdadeiro e supremo pastor. Afinal, ele mesmo diz de si: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. (Jo 10:11). De fato, o pastor é quem deu sua vida pelas ovelhas, e o apóstolo Paulo sabiamente relembra seus leitores Coríntios disso: "Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?" (1 Co 1:13). Então, que sejamos mais uma vez lembrados que o poder do papel que desempenhamos como pastores e/ou conselheiros bíblicos não está em nós, mas naquele de quem falamos e que apresentamos às pessoas que nos procuram.

A honra e a glória pertencem àquele que oferece a si mesmo, àquele que oferece o que é: Cristo Jesus, nossa paz, esperança, pão, caminho, verdade e vida.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Aflição – Uma Perspectiva Bíblica

 

sofrer1Em certa ocasião precisei levar minha filha mais nova (quatro anos) para fazer exame de sangue. Minha filha foi chorando de casa até o local do laboratório. Ao chegar, precisei conversar um pouco com ela e disse que iria doer um pouco, mas que ela conseguiria suportar a dor. Depois de algum tempo tentando convencê-la a parar de chorar, não houve outra opção, senão, coloca-la na posição adequada para a retirada do sangue. Insisti para minha filha olhar para o outro lado... ela não atendeu. Em meio a muito choro, quando ela viu a agulha se aproximar, em meio ao choro e desespero ela disse, “aí meu Deus, me ajuda”. O procedimento terminou rapidamente, e seu chorinho também. Ao entrarmos no carro para voltarmos para casa, pude conversar com ela dizendo que ela fez o certo, afinal, no momento de desespero, ela clamou para quem poderia de fato ajuda-la. Graças a Deus o resultado do exame foi normal. Além disso, ficou o aprendizado para ela, ou seja, em nossa fraqueza ou medo, devemos pedir o socorro a Deus.

Sei que muitos cristãos estão passando por aflições perturbadoras. Os problemas se avolumam, a procrastinação é um mal crescente. Os pecados, gradativamente estão sendo tratados como problemas, e a Palavra de Deus é cada vez menos utilizada para a devida correção dos rumos do coração.

As respostas mais comuns, ultimamente, para a aflição, infelizmente têm sido para procurar respostas para além do que diz a Palavra de Deus.

De forma breve, gostaria de sugerir a leitura do Salmo 77 como um salmo que instrui contra a cultura vigente no meio evangélico. Sim, uma contracultura está claramente apresentada no belíssimo Salmo 77.

Vemos no Salmo 77 um homem em profunda aflição, queixando-se precisamente com Deus, ou contra ele. O tormento expresso logo nas primeiras linhas deste salmo, mostra claramente a confusão e o sofrimento impactando a alma do salmista. E percebam que o salmista não apresenta dúvidas sobre a existência de Deus. Seu questionamento repousa sobre sua providência.

A aflição de fato é perturbadora. Tira o sono, acelera os batimentos cardíacos, nos deixa ansiosos, ávidos para resolvermos rapidamente o problema, pecado ou tribulação.

A grande questão aqui é que, conforme o dilema avança, menor é a confiança do salmista na intervenção de Deus (providência). Assim, ele começa uma trajetória de fato angustiante e crescente, ao ponto de esquecer-se que as misericórdias de Deus não têm fim (Sl 77.9).

As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim. Lamentações 3.22

O salmista usa termos que nós conhecemos muito bem para descrever sua perspectiva do seu próprio estado. Vejamos: elevar a Deus a voz e clamar; no dia da minha angústia; erguem-se as minhas mãos (como o mendicante ergue a mão por um pouco de alimento); minha alma recusa consolar-se; o salmista medita diante de Deus e geme; seu espírito está desfalecido (suas forças estão se esvaindo); está tão perturbado que não consegue dormir nem falar.

Alguns termos acima descritos pelo salmista ainda são usados até hoje, outros foram atualizados, porém, o sentido para a aflição continuou o mesmo e o seu estrago continuou o mesmo.

Diante deste quadro conhecido de tristeza profunda, melancolia e aflição, não apenas a realidade é afeta, mas a própria perspectiva de Deus é contaminada. A aflição pode provocar uma visão distorcida de Deus. E é exatamente o que muitos cristãos estão enfrentando atualmente. Os dilemas estão presentes, as tribulações são uma constante, os pecados que deveriam ser confessados são guardados no coração como um bichinho de estimação, e, evidentemente, quando olham ou quando buscam a face de Deus, só conseguem encontrar uma visão distorcida de Deus.

Para aqueles cristãos que estão passando e estão sentindo exatamente o que está descrito no Salmo 77, há uma palavra bíblica de esperança. O próprio salmista apresenta tanto o problema quanto a solução. Após acusar sistematicamente Deus, encontramos uma declaração corajosa no versículo 10: Então, disse eu: isto é a minha aflição; mudou-se a destra do Altíssimo.

Aflição (do hebraico chalah – tornar-se fraco, doente ou triste), era o que estava encobrindo os olhos do salmista para enxergar a beleza do Altíssimo para poder deleitar-se nele, encontrar gozo e alegria em Deus.

Agora, restaurada sua comunhão com Deus, o salmista pode olhar para o passado e considerar todos os poderosos feitos do Senhor. Agora, o salmista rapidamente recobra sua gratidão e alegria. Seu vigor foi restaurado. Quando leio sua declaração do verso 10, tenho a impressão que ele volta a respirar aliviado. Mesmo contemplando as forças hostis (Sl 77. 16), ele consegue contemplar a força do Senhor.

Sei que há aqueles que estão “diagnosticando” aflição como um problema apenas. Biblicamente falando, aflição precisa ser confessada. Aflição, ou seja, nossa fraqueza moral ou espiritual, nossa falta de fé e de confiança na ação de Deus em conduzir todas as coisas, mesmo que não entendamos, deve ser reconhecida como pecaminosa e deve ser confessada. Após o reconhecimento de sua debilidade é que o salmista tem seus olhos iluminados.

Reconheçamos nossa fraqueza diante de Deus. Confessemos a ele nossos pecados, nossa falta de fé e de confiança plena nele e confiemos nele e na força do seu poder, porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. (2 Co 12.10).

sábado, 15 de outubro de 2016

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Antes de engolir, reflita

Nas últimas semanas, você que é leitor mais assíduo deste blog, tem sido desafiado a repensar algumas premissas que são dadas como certas na sociedade (Hey, você que chegou agora... fica o convite para conhecer os posts anteriores, okay?!). Como cristãos, estas reflexões são afazeres normais da vida com Cristo, pois precisamos rever nossos caminhos quase como que diariamente.
 
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Por isso, os convido novamente à reflexão desse assunto, pois pode ser que ou você ou alguém que você conheça, se veja numa situação em que tenha que considerar o uso de remédios para solucionar alguma aflição ou "doença mental". Em sendo o caso, peço que considere:


1) A falência do modelo médico que defende o desequilíbrio químico

Alguns psiquiatras, mais conscientes de suas limitações e dos abusos comuns, questionam a validade das chamadas "doenças mentais". Por um lado encontramos crítica mais gerais, endereçadas ao modelo como um todo, como no caso do dr. T. C. Colbert, que em 2001 publicou um livro com um chocante título: Rape of the Soul: How the Chemical Imbalance Model of Modern Psychiatry has Failed its Patients [Estupro da alma: Como o modelo do desequilíbrio químico da psiquiatria moderna falhou com seus pacientes]. Há também aqueles que o fazem de modo muito específico. Este é o caso do dr. John Modrow, no seu livro How to become a schizophrenic: The case against biological psychiatry [Como se tornar um esquizofrênico: o processo contra a psiquiatria biológica] de 2003, onde aborda tanto a questão da falta de informação crônica que atinge pacientes e familiares, quanto as muitas teorias a cerca do problema específico (esquizofrenia), tais como "defeito cerebral", "desequilíbrio bioquímico" e "defeito genético".

Elliot Valenstein, médico e bioquímico, autor de Blaming the Brain, disse que "Não há nenhum teste disponível para acessar o status químico do cérebro de uma pessoa viva". A proposta da dra. Hendrickson por outro lado, que ela acredita ser consistente com o que a Bíblia ensina, é que haja uma sinergia entre os sentimentos e pensamentos do coração e o equilíbrio químico do cérebro. Ou seja, é uma via de mão dupla, onde um pode afetar/influenciar o outro(Hendrickson, 2013:173).

De maneira bem geral, poderíamos resumir a questão a uma das críticas levantadas: a de que, no máximo, esses problemas poderiam ser catalogados como "desordens". Uma desordem pode ser definida e classificada de várias maneiras, mas geralmente nada são além de manifestações daquilo que "não deveria ser assim", ou seja, comportamentos, pensamentos, ações ou reações que não estão em conformidade com a ordem.

A pergunta, entretanto, que devemos nos fazer é quem determina a ordem, para que algo seja estabelecido como uma desordem? Onde e com que está o paradigma de ordem?


2) As esperanças de descobertas que hoje funcionam como base de fé

Muitos psicólogos e psiquiatras trabalham sob uma premissa de fé que precisa ser cuidadosamente analisada. Creem que a ciência, seja ela representada pela fisiologia, biologia ou qualquer área da medicina, descobrirá, em um futuro que esperam esteja próximo, as causas físicas e bio-químicas para as atuais "doenças", fornecendo assim a prova final que justificará a já presente administração de medicamento.

Esta postura não é nova, no entanto. Em Blaming the Brain: The Truth About Drugs and Mental Health [Culpando o Cérebro: A verdade sobre as Drogas e a Saúde Mental], de 1998, Elliot S. Valenstein, professor emérito de psicologia e neurociência da Universidade de Michigan, escreveu que desde as décadas de 50 e 60 os psiquiatras já administravam drogas que não compreendiam bem seu funcionamento. A indústria farmacêutica, diz Valenstein, investiu na pesquisa tanto de novas drogas como na descoberta de seu funcionamento (pg. 59). Ele chega a dedicar um capítulo inteiro para esse assunto em seu livro (Valenstein, 1998:165-202). Ou seja, eles firmemente acreditam em fatos que ainda não se veem...


3) Que entre ignorantes e sábios, ninguém sabe muito mesmo

Nas conversas entre leigos e entendidos, sempre sobra uma acusação de que quem defende o aconselhamento bíblico seja ignorante, ou obtuso. Como se o quadro já não fosse suficientemente confuso, as agência e associações ligadas aos profissionais da área entendida admitem que não sabem a causa ou a cura para qualquer desordem mental, e em muitos casos, também desconhecem os efeitos do tratamento em seus pacientes.

Hendrickson acredita que o ensino bíblico seja o de que as suas emoções vêm de seu coração, não de seu corpo (Hendrickson, 2013:174), embora o contrário possa acontecer também. Para sustentar a tese de que a Bíblia ensina que o que acontece com seu corpo influencia o seu coração, Hendrickson oferece o exemplo de Elias, cuja fé perdeu o vigor depois do confronto com os profetas de Baal e da fuga prolongada para escapar das mãos de Jezabel. Embora ela reconheça que ele estivesse, após os eventos, física e emocionalmente exausto e faminto, nada disso, em sua avaliação, o fez desistir mas tão somente abriu margem para que a tentação para fazê-lo ficasse mais difícil de resistir. (Hendrickson, 2013:172).  Hendrickson entende que Deus foi sensível às necessidades físicas de Elias, não deixando-o sem alimento e descanso. Mas insiste:"Ele queria desistir porque julgou que sua situação era desesperadora e seu ministério, uma causa perdida". Adiante ela nota que descanso e comida não solucionaram a situação do profeta Elias, e conclui: "Foi necessário um encontro com a verdade de Deus para colocar o coração de Elias no devido lugar" (Hendrickson, 2013:174).


4) Riscos não considerados, mas que podem ser fatais

Uma outra questão a se considerar é o risco de suicídio que algumas dessas drogas induzem, quer pelo seu abuso, quer por sua má prescrição. É possível que alguém ainda sinta que, desde que evitadas as más administrações da droga, seu uso seria seguro.

Procure se informar, pois quando a decisão de caminhar pela via do medicamento é tomada, é importante levar em consideração que a maioria dos remédios psiquiátricos possivelmente farão duas coisas: ajudar a diminuir a dor, e trazer fortes efeitos colaterais (Hendrickson, 2013:173).

O livreto "Mental Health Care: What is the Alternative to Psychotropic Drugs?", alerta que qualquer um que esteja tomando drogas psicotrópicas jamais deverá dispensá-las imediatamente, pois devido aos efeitos perigosos que a abstenção repentina causa, o acompanhamento com um competente médico deve ser feito. No aviso em questão, o livreto indica que tal profissional seja preferencialmente um não psiquiatra.

Entre aqueles profissionais de saúde que se deparam com as evidências, com os efeitos nocivos e com a falta de sustentação científico-médica para muito do que é alegado no Manual de Diagnóstico, a busca por tratamentos alternativos aos medicamentos é crescente. Hendrickson, por exemplo, entende que as drogas psiquiátricas não são necessárias, sob condições normais, e talvez tenham alguma valia em casos extremos, desde que considerados os efeitos colaterais. Em sua opinião, a Bíblia continua sendo, apesar de haver algum possível benefício na administração medicamentosa, a fonte primária de auxílio. (Hendrickson, 2013:176). A pergunta que paira é: Quais benefícios os medicamentos realmente trazem?


Então?

   1. Saiba, não o nome comercial do remédio que estão te receitando ou que seu aconselhado está tomando, mas o "princípio ativo", ou seja, o nome do fármaco. Você se surpreenderá com a quantidade de nomes fictícios para o mesmo tipo de remédio. Pergunte em qualquer balcão de farmácia quantos diferentes "remédios" existem para o ibuprofeno, um analgésico não-narcótico,  não-adictivo. Mas repare: este é apenas o começo da descoberta. Agora procure saber o que ele faz, onde exatamente ele age no organismo e quais são os seus efeitos colaterais. Pessoalmente já vi dentista receitar anti-depressivos, e fiquei a me perguntar quanto pacientes atendidos por ele já precisaram deste tipo de medicamento e qual a influência do estado emocional de alguém que precisa de um tratamento dentário.

2. Saiba o motivo pelo qual você deveria tomar esta medicação. Remédio tem uma direta ligação com o diagnóstico, que por sua vez deveria ter uma direta relação com o "problema", a doença sob trabamento. Esta é uma questão simples: se você foi diagnosticado com alguma desordem de pânico (o que não é muito difícil), e lhe foi prescrito um medicamento, a pergunta natural que se segue é: onde o pânico reside? Em que parte do corpo ele está ou "começa"? E a segunda questão que se segue a esta é: Como o remédio em questão agirá sobre o problema? Agirá sobre o local do meu corpo onde o pânico se aloja? Qualquer profissional capaz de lhe receitar um antidepressivo prontamente lhe dirá que o motivo básico para que você tome o remédio prescrito se deve ao fato de você experimentar um desequilíbrio químico no cérebro, ou uma doença mental ou problemas emocionais. Mas repare: Qual foi o exame capaz de provar que exista qualquer doença no cérebro ou mal funcionamento orgânico que justifique o diagnóstico? Geralmente a base sobre a qual se fundamental para fazer tais afirmações é o Manual Diagnóstico e Estatístico das Desordens Mentais, cuja sigla é DSM, hoje em sua 5 edição.

3. Saiba que o abuso de drogas, lícitas ou não, dificulta e muito o processo de aconselhamento. Elas nublam o pensamento, dão falsas sensações, de mal e bem-estar, e na maioria das vezes, escondem o perigo verdadeiro, camuflando-o atrás de uma aparente solução. Citei acima propositalmente o Ibuprofeno, pois ele ilustra bem a questão. Nem todos sabem que ele não é só um analgésico, mas possui também propriedades anti-inflamatórias. Qualquer médico poderá confirmar (e pais de crianças pequenas também) que ministrado sem prescrição, ele pode camuflar o problema, sem tratá-lo apropriadamente. Em resumo, "...tomar uma medicação sem considerar os assuntos espirituais pode deixar uma questão muito importante sem ser tratada." (Hendrickson, 2013:171) .
 
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Então, não engula diagnósticos, comprimidos nem explicações com um simples gole d'água. Seja criterioso peça a Deus por sabedoria, pois neste mundo somos enviados como ovelhas para o meio de lobos, e é mister que sejamos prudentes como as serpentes, ainda que símplices como as pombas (Mateus 10.16).

Jônatas Abdias

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Nem grilo falante, nem muro das lamentações

Israel Adventures. Jerusalem. Matan

Uma piada antiga conta que um médico do interior enviou seu filho a fim de cursar medicina na capital. Após um logo tempo de estudo o jovem retornou para assumir a clínica do pai, que havia se aposentado. O primeiro paciente entrou e ele soube que o cliente já se consultava com o seu pai há 10 anos. O jovem doutor o examinou, prescreveu o remédio e com poucas semanas o paciente já estava bom, muito grato e não poupando elogios ao novo doutor. O jovem médico, então, foi visitar o pai e disse: Meu pai, já estava em tempo mesmo de o senhor se aposentar. A medicina avançou muito e aquele paciente que o sr. já tratava há dez anos ficou curado em três semanas com o tratamento que prescrevi. O velho médico olhou bem para o filho e exclamou: Pois é, meu filho, mas foi o dinheiro desses dez anos de consultas que ajudou a pagar o seu curso de medicina...

Pensando já na vida real, não são poucos os casos de pessoas que, ao enfrentar problemas existenciais, recebem junto com o “diagnóstico” a notícia, pelo especialista, de que o tratamento terá de ser bem longo (muitas vezes, “coincidentemente”, durando o mesmo tempo das prestações a serem pagas pelos profissionais). É claro que aqui, não posso ser leviano. Mesmo discordando das abordagens seculares, tenho plena consciência de que há muitos terapeutas que estão mais preocupados com os pacientes que com as parcelas a vencer e levam seu trabalho a sério. Sei também que a questão de “manter o cliente” não é uma prerrogativa de conselheiros seculares. Por várias razões, incluindo finanças, no caso daqueles que cobram para aconselhar (tenho aqui minhas críticas a essa prática, mas isso é assunto para outro post), desejo de ser reconhecido, ouvido, considerado, etc., conselheiros bíblicos podem cair na tentação de se tornar uma espécie de “Grilo Falante gospel”.

Você deve conhecer o Grilo Falante, ele é o amigo do Pinóquio, um boneco de pau que se tornou um menino, e age como sua consciência, tentando livrar o garoto de problemas. Curiosamente, enquanto eu escrevia fui buscar saber um pouco mais sobre a personagem que eu já conhecia e descobri que vários sites trazem a informação de que o nome do grilo, em inglês Jiminy Cricket, inicialmente era apenas um eufemismo para Jesus Christ. Essa nova informação torna minha ilustração ainda mais precisa, pois é isso que muitos conselheiros acabam tentando fazer, servir eles mesmos de redentores dos aconselhados.

Em meu ministério encontrei alguns aconselhados que foram uma tentação para que eu começasse a agir assim. Um, especificamente, me ligava a cada decisão que tinha de tomar. Em princípio até me senti importante, já que alguém estava considerando minhas “opiniões” a fim de tomar decisões em sua vida. De repente começaram as ligações tarde da noite ou durante os períodos em que eu estava me exercitando fisicamente, também na hora em que eu estava almoçando e em vários outros momentos do dia, para perguntar sobre as coisas mais simples.

É claro que tive de conversar e explicar que o objetivo do aconselhamento era que, diante do Senhor, ele pudesse tomar, por si mesmo, decisões que honrassem ao Redentor. Conselheiros devem estar bem cientes de que seus dons, assim como os demais dons concedidos pelo Senhor, têm por finalidade o “aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.12-14).

A ideia é que o aconselhado dependa de Cristo, não do conselheiro, e para que isso aconteça as tarefas são de essencial importância no processo de aconselhamento bíblico. Conselheiros devem ouvir as histórias, os dilemas, buscar e apontar nas Escrituras a forma como os aconselhados podem e devem responder biblicamente às diversas circunstâncias de suas vidas e providenciar tarefas criativas para que eles coloquem em prática o que estão aprendendo e comecem a crescer em graça, sempre na dependência de Deus, aquele que efetua nos crentes o querer e o realizar conforme sua boa vontade (Fp 2.13), por meio de seu Filho Jesus Cristo, que afirmou: “Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15.5).

Quando isso não ocorre há outro perigo para os conselheiros que é o de se tornarem nada mais que um “muro de lamentações dos pecados alheios”. Funciona mais ou menos assim, os aconselhados vêm para o aconselhamento, contam suas crises, seus pecados, choram, ouvem alguma exortação e/ou esperança que flui do evangelho, recebem suas tarefas, não as fazem, não buscam crescer em graça e pensar biblicamente, mas sempre retornam ao conselheiro a fim de tentar aliviar a culpa do pecado ou o peso sentido em meio aos dilemas da vida, por meio de um mero desabafar ou de um “pôr tudo para fora”.

Com Maísa (nome fictício) aconteceu exatamente assim. Apesar do prévio combinado, de que se ela não realizasse as tarefas não haveria como seguir como aconselhamento, por algumas vezes acabei transigindo com sua falta de compromisso, achando que conseguiria ajuda-la, mesmo ela tendo deixado de fazer uma tarefa simples como voltar a frequentar regularmente a sua igreja. Quando entendi que ela não queria levar a sério o compromisso com o corpo de Cristo, mas somente ter alguém para desabafar, não tive outra opção a não ser encerrar os encontros para aconselhamento. O princípio exposto em Provérbios 21.25 cabe muito bem aqui, “o preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam a trabalhar”. Nunca haverá resultado na passividade (ou preguiça) dos aconselhados, pois a piedade é algo que deve ser exercitado e que exige esforço (1Tm 4.7; At 24.16). É bom lembrar que no Salmo 1 a promessa de ser bem-sucedido é em tudo o que o justo “faz” (1.3).

Você pode ser uma bênção aconselhando seus irmãos sendo usado, pela graça de Deus, para exortar, confortar, animar, apontar caminhos, dar esperança, mas sem nunca querer tomar o lugar do Redentor, quer seja nas decisões que os aconselhados devem tomar, quer seja no alívio paliativo, ao simplesmente servir como uma boa pessoa com quem desabafar.

Lembre-se sempre disso: conselheiros não são chamados para ser um Grilo falante, tampouco um muro das lamentações, mas, nas palavras de Paul Tripp, simples “instrumentos nas mãos do Redentor: pessoas que precisam ser transformadas ajudando pessoas que precisam de transformação”. Que o Senhor Jesus Cristo, o Maravilhoso Conselheiro, use nossa vida para a sua própria glória.

Milton C. J. Jr.

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