quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Algumas Considerações sobre o Aconselhamento Bíblico

aMuitos pastores e líderes evangélicos estão alertando a igreja contra o chamado secularismo na igreja.

Uma definição prática para o secularismo no contexto religioso é, a cosmovisão ímpia que rejeita a influência e as regras de Deus e de sua Palavra. A raiz latina saeculum referia-se a uma geração ou a uma era. “Secular” veio a significar “pertencente a esta era, mundana”.

Dito isto, ouvimos o alerta de forma generalizada sobre a influência do secularismo sobre a igreja. O secularismo tem influenciado rapidamente o comportamento e a percepção de toda a realidade da igreja. E, por isso mesmo o alerta está soando em diferentes vertentes dentro da igreja evangélica brasileira.

Estranhamente, os mesmo que erguem a voz para alertar a igreja sobre a influência do secularismo, apontam somente para alguns aspectos da sua prática ou da sua influência, destacando somente alguns frutos, ou seja, alguns aspectos mais gritantes do secularismo, como a mercantilização da fé.

Obviamente que isso é um problema muito grave e tal mercantilização da fé deve mesmo ser combatida e rejeitada. Entretanto, não podemos ignorar a raiz desta secularização. Se não conseguirmos diagnosticar o problema em sua raiz, toda abordagem ou alerta será sempre um paliativo. Devemos encarar com sobriedade e coragem o início deste gravíssimo problema que tem afetado todas as denominações.

Antes de avançarmos, é necessário entender que há uma disputa em andamento. O secularismo também pode ser visto como um movimento de ideias a disputar mentes e corações, afinal, o secularismo tem exercido grande fascínio e tem anestesiado a mente e o coração de inúmeros cristãos e igrejas.

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, 2 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, 3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, 5 tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. (Grifo meu) (2 Timóteo 3. 1-5).

A influência do secularismo sobre a vida da igreja foi profunda. Todas as áreas da vida da igreja foram afetadas. Casamento, criação de filhos, trabalho, estudos, relação fraterna, culto e liturgia, discipulado, missões, enfim, todas as áreas sofreram a influência danosa do secularismo.

Quando a igreja começa a sofrer mais intensamente os frutos desta influência, ao invés de tentarmos identificar a raiz do problema, ouvimos afirmações genéricas dos efeitos da influência secular sobre a igreja.

Ao pensarmos sobre o que fazer para impedir o avanço do secularismo na igreja, gostaria de sugerir que pensemos seriamente na prática do aconselhamento bíblico como uma ferramenta santa a ser usada para reorientar uma cultura ruim já estabelecida no meio evangélico. Para que isso aconteça, devemos desmistificar alguns conceitos equivocados e preconceituosos sobre o aconselhamento bíblico.

Primeiro: não é verdade que o conselheiro bíblico não é bem preparado.

O conselheiro bíblico precisa se preparar muito, precisa conhecer profundamente a Palavra de Deus. Deve ser e se preparar teologicamente. Sua análise bíblica não pode ser rasa ou displicente. Há cursos de altíssimo nível aqui no Brasil e no exterior, dedicados exclusivamente para treinar conselheiros a fim de ajudar seus aconselhados. Um bom preparo teológico é imprescindível para a prática do aconselhamento bíblico.

1 Tessalonicenses 5:11: Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como na verdade o estais fazendo.

Hebreus 3:13: antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;

Colossenses 3.16: Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.

Segundo: Não é verdade que a resposta primeira do conselheiro bíblico é “falta de oração e leitura da Bíblia”.

Por falta de conhecimento e de boa instrução, ou, por má fé, muitos líderes contrários ao aconselhamento bíblico elaboraram uma caricatura do conselheiro e da disciplina. Sou fã da arte da caricatura. Entretanto, não posso dizer que caricaturar propositalmente uma área da teologia, com o intuito de demostrar demérito ou mesmo para demonstrar insignificância ou perigo, jamais será o melhor procedimento para alertar a igreja contra algo danoso. Devemos agir sempre à luz da verdade, não da caricatura.

2 Coríntios 13.8: Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade.

Um conselheiro bíblico bem treinado jamais agirá de forma tão infantil e inconsequente. Jamais o conselheiro bíblico bem treinado apresentará respostas como se fosse um “passe de mágica”. Porém terá a coragem, em momento apropriado, de confrontar seu aconselhado sobre a ausência de exercícios espirituais tão importantes quanto a oração e a leitura da Palavra de Deus.

Terceiro: Não é verdade que o conselheiro bíblico é um alienado.

Os homens e mulheres que se preparam para servir na igreja como conselheiros, estão atentos ao que acontece ao seu redor e não ignora a boa observação. Entretanto, mesmo antenados e bem informados sobre assuntos diversos, toda informação passa pelo crivo da Palavra de Deus, não importando a fonte. A autoridade primeira e fundamental será sempre a Palavra de Deus. E, se por alienado entenderem aquele que efetivamente crê que o conselheiro bíblico usa em “demasia” a Bíblia, nenhum conselheiro bíblico se importará com mais um rótulo caricato.

Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Romanos 1.16

Quarto: Não é verdade que o conselheiro bíblico é insensível ao sofrimento do outro.

Por fim, mesmo não sendo uma lista exaustiva, será bom esclarecer que o conselheiro bíblico sofre juntamente com seu aconselhado. Cada vitória sobre o pecado é uma imensa alegria. Entretanto, cada derrota, ainda que temporária para o pecado, é um punhal a estraçalhar o coração e a mente do conselheiro. O conselheiro bíblico sente e sofre intensamente. Lamenta pela fracasso e luta em oração para que o santo evangelho santifique seus aconselhados. Afirmar que o conselheiro bíblico é insensível é tomar o lugar do verdadeiro juiz e julgar irmãos e irmãs que estão trabalhando com afinco para o bem, para a santificação dos aconselhados. Assim, o que encontramos nesta falsa acusação de insensibilidade, é tão somente mais uma caricatura a desfigurar o conselheiro bíblico e o aconselhamento bíblico.

Voltando ao ponto inicial, o que o secularismo tem a ver com o aconselhamento bíblico e a igreja?

A igreja foi buscar fora da Palavra de Deus instrução para: educar seus filhos; resolver conflitos conjugais; resolver conflitos relacionais; abdicou do poder de Deus e se rendeu ao marketing; as estratégias humanas tomaram o lugar da ação do Espírito Santo de Deus; o dinheiro é a medida de sucesso... muito dinheiro, sucesso, pouco ou falta dele, fracasso. Ateus estão instruindo os membros da igreja. Um semestre numa faculdade é suficiente para elevar pensadores marxistas acima do senhorio de Jesus Cristo. Esses jovens viram os adultos renderem devoção a homens mais que a Deus. Muitos adultos e anciãos da igreja levam mais em consideração a palavra de homens pecadores acima da Palavra de Deus. Sexo entre jovens já não é mais visto como um pecado, mas como algo típico da juventude. A autoestima é a hermenêutica da nossa geração e, por isso mesmo, é a tragédia da nossa geração. A mente não suporta 40 minutos de exposição bíblica, mas a mente pós moderna suporta duas horas de palestra motivacional, mesmo que travestida de mensagem bíblica. Falar somente sobre Deus, Cristo, Espírito Santo, sobre o avanço do reino, sobre a igreja, são inconvenientes e cansativos, se não houver alguma pitada de tempo para “erguer os ânimos” ou elevar a autoestima. Homens e mulheres esqueceram do dever do bom testemunho fora das quatro paredes. Evangelho da cruz é um termo estranho. Há pessoas ansiosas para ouvir uma mensagem “linda”, ao mesmo tempo em que rejeitam a mensagem transformadora e desafiadora do santo evangelho. O entretenimento é a “bola da vez”. Se não há entretenimento, não haverá gente.

O entretenimento não santifica, não confronta, não consola, e portanto, não anima, não estabelece o firme fundamento da esperança. Entretenimento embrutece o coração e alma. E boa parte da igreja abraçou tudo isso, ou se rendeu a tudo isso.

O aconselhamento bíblico apresenta um caminho distinto deste que temos observado. A declaração feita é simples e confrontadora: a Bíblia tem todas as respostas para a alma humana! Esta frase típica do ambiente do aconselhamento bíblico também é alvo de zombarias e chacotas.

Pense por um instante e pondere:

· O conselheiro bíblico tem a Palavra de Deus como firme fundamento da fé;

· O conselheiro bíblico entende que a Palavra de Deus é autoritativa, inerrante e suficiente, caso contrário não seria um conselheiro bíblico;

· O conselheiro bíblico se preocupa com os seus irmãos em dificuldades e deseja contribuir para o progresso do reino de Deus;

· O conselheiro bíblico procura amparo na Palavra de Deus para apoiar, orientar, ajudar na correção de rumos, confrontar quando necessário, todos aqueles que pecaram e erraram o alvo em algum momento na vida;

· O conselheiro bíblico reconhece que não é capaz de ajudar ninguém sem a ação do Espírito Santo de Deus;

· O conselheiro bíblico luta contra seus próprios pecados e os reconhece diante de Deus e jamais se apresenta como “o salvador da pátria”, possuidor de todas “as respostas” para todos os dilemas da alma;

· O conselheiro bíblico reconhece a bênção da medicina tanto quanto reconhece alguns dilemas desta mesma medicina que, como qualquer outra área do saber, pode se rebelar contra Deus;

· Numericamente falando, os conselheiros bíblicos são insignificantes aqui no Brasil, mesmo que haja um despertamento de interesse sobre esta disciplina.

Diante destes fatos, qual seria a razão de tamanho preconceito caricato sobre homens e mulheres que tão somente desejam apoiar irmãos em Cristo a terem uma vida mais santa e menos rendida ao secularismo e ao pecado?

Para cada dilema do coração, para cada aspecto obscuro da alma, para cada dilema moral, o aconselhamento bíblico reafirma aquilo que se pode observar claramente na Palavra de Deus, ou seja, respostas! A Bíblia tem respostas para todos os dilemas da alma, do coração ou os dilemas morais, que fazem refletir no corpo os aspectos do pecado não tratado devidamente como pecado, quer seja rebeldia, dureza de coração, desejo, cobiça, falta de contentamento, ira, inveja, ciúmes, ódio, depressão, tristeza, ansiedade, falta de ânimo, frieza espiritual, morte e luto... Em cada aspecto e suas subdivisões, a Palavra de Deus lança luz para restauração e correção de rumos.

Hebreus 4.12: Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Salmo 19.7: A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.

Salmo 119: 104 Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho. 105Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.

De todo meu coração penso que o aconselhamento bíblico deve ser praticado urgentemente na igreja para ajudar contra o avanço do secularismo. Homens orientando biblicamente seus filhos, mulheres mais sábias orientando biblicamente as mais novas na igreja quanto a procedimento, casamento, criação de filhos. Jovens biblicamente apoiando-se mutuamente no desejo se santidade e da glória de Deus. Liderança da igreja preocupada na edificação do corpo, fidelidade à Palavra de Deus e as benditas e maravilhosas doutrinas da graça sendo vivenciadas.

Uma igreja composta por pecadores que sabem que não fizeram por merecer, que são frágeis em todas as circunstâncias e, por isso mesmo, procuram abrigo exclusivo no Deus Altíssimo.

A igreja não deveria ser conhecida por causa dos seus programas de entretenimento, antes, deveria ser conhecida descansar na graça de Deus, cultuando intensamente o redentor Jesus, relembrando constantemente seus méritos, seu sacrifício na cruz. Cultuando biblicamente, sem interferência da opinião de ímpios, e refletindo toda a alegria dos santos em render adoração ao Deus que cuida das suas ovelhas como Pai.

Espero que minhas considerações sobre o aconselhamento bíblico auxiliem e encorajem outros conselheiros bíblicos nesta área desafiadora. Porém, gostaria de recomendar a leitura de outros autores mais competentes. Aqui mesmo, meus colegas e irmãos em Cristo, que fazem parte deste blog estão na caminhada há bem mais tempo do que eu. Recomendo seus artigos com alegria.

Por fim, é necessário destacar a dificuldade que muitos estão tendo em afirmar a suficiência da Palavra de Deus e ver sua aplicação em todas as áreas da vida. Sei que há aqueles mal intencionados, entretanto, considerando que há tempo para todas as coisas (Eclesiastes 3.1), sinceramente espero que, aqueles irmãos que nutrem algum dissabor pelo aconselhamento bíblico, possam ler e ponderar na grande proposta do aconselhamento bíblico, ou seja, ajudar irmãos, ombro a ombro, para estarmos mais próximos do nosso redentor Jesus e assim, refletirmos toda nossa confiança, alegria e regozijo, tão somente nele.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Andando meio desequilibrado?


Dr. Wadislau Gomes dizia em suas aulas sobre aconselhamento que andar é uma façanha que envolve equilíbrio e desequilíbrio. Eu comigo pensava: então desequilibrar não é algo tão mal assim se for seguido de equilíbrio. Mas se eu me manter equilibrado o tempo todo, não saio do lugar... Você não acha curioso que a Bíblia se refira à vida muitas vezes como uma caminhada, como "andar" com Deus ou distante dele? Mas ultimamente uma teoria tem avançado, dizendo que andamos meio desequilibrados aqui dentro da cabeça, e não é labirintite.

Há quem diga que esse assunto, o do desequilíbrio químico cerebral, não deveria fazer parte das preocupações dos conselheiros bíblicos. "É doença!" diz alguém com ar de conhecimento, enquanto outro grita "sai pra lá, vá cuidar da alma, que da mente já tem médico pra isso". Nesse empurra, empurra, me lembro da anedota do rapaz que no telhado de celeiro, à conserta-lo, perde o equilíbrio e precipitando-se para baixo só tem tempo de orar: "Senhor me acode". Na queda suas roupas se prendem a um dos muitos ganchos espalhados pelas paredes, e ele então ora aliviado: "Não precisa mais, Senhor... Fui pego pelo gancho...".

Existe uma tensão muito grande entre os que defendem o tratamento da dor emocional com remédios e o grupo contrário aos medicamentos psiquiátricos para esse fim (Valenstein, 2002:3). Para muitos, gratos ou não pelos ganchos que Deus põe no caminho da vida, ser medicado para procurar manter o equilíbrio químico no cérebro tem o mesmo status da Aspirina ou Novalgina (escolhe o seu...) que atua na mesma cabeça, mas para aliviar dor diferente. Na abordagem do assunto, é importante levar em consideração a advertência levantada pela Dra. Hendrickson, para não cair nem no julgamento legalista, nem tampouco na vitimização irresponsável: "os membros do grupo contra medicamentos podem chegar perigosamente perto de cometer o mesmo tipo de erro dos 'consoladores de Jó'", querendo com isso dizer que existe uma tendência para se condenar a pessoa acusando-a de ter pecados não confessados; ao passo que os membros do grupo pró-remédios "querem fazer com que todos entendam que o seu sofrimento não é devido ao pecado" (Hendrickson, 2013:170).

A insistência dos conselheiros bíblicos em questionar o uso, muitas vezes indiscriminado, de drogas (fármacos) psicoativas não é à toa, entretanto. Embora a ciência que estude os fármacos seja a Farmacologia, não a Teologia, esta última nos informa que a raiz que compõe a palavra [pharmakon (droga) e logos (palavra)] pisou nas páginas das Escrituras Sagradas. Por exemplo, em Gálatas 5:20, Apocalipse 9:21 e 18:23, a palavra "pharmakeia" foi traduzida por feitiçaria, justamente por conta da palavra fazer alusão à poções e encantamentos. Já em Apocalipse 21:8 e 22.15 encontramos as palavras "pharmakeus" e "pharmakos"; estas foram traduzidas por encantadores e mágicos. O sentido mudou com o tempo e hoje os usos dessas palavras anda longe daqueles usados nas Sagradas Letras, mas as pegadas indicam correspondência.

Quando caminhamos nesse tipo de terreno, muitas vezes somos "convidados" a nos retirar. Às vezes de modo bem ríspido. Afinal, falar de remédios é um assunto bíblico? Conquanto muitos respondam automaticamente com um sonoro "não", esta pode ser a resposta errada. Neste post minha intenção é sacudir um pouco a nossa certeza de que médicos e conselheiros estejam de lados opostos da estrada, e nesse desequilíbrio, dar um passo para frente, encontrar equilíbrio e avançar.

Uma das maiores dificuldades, (senão a maior) para se continuar no caminho é a transposição do "modelo médico". Por este termo refiro-me ao que a sociedade adotou como modelo estrutural de vida e pensamento (o que também pode ser chamado de cosmovisão), no qual tudo pode ser resumido, explicado e tratado em termos médicos. Segundo este modelo, há pouco espaço (se houver) para teologia.

Com a palavra, então, os médicos:
A afirmação à seguir poderia soar deselegante se vinda de outras fontes, mas a psiquiatra Dra. Laura Hendrickson (2013:173), não exitou em afirmar que "quando os comerciais de televisão dizem a você que os sentimentos dolorosos são causados por um desequilíbrio químico em seu cérebro, eles estão simplificando excessivamente uma informação complexa" (grifo meu). O Dr. Darshak Sanghavi, membro da equipe clínica da Escola de Medicina de Harvard, também está entre os muitos que publicamente reprovam a teoria do "desequilíbrio químico" (Anon, 2008:2).

Até o presente momento, para a esmagadora maioria das chamadas doenças mentais e desordens categorizadas nos DSM's, ainda não existe causa fisiológica conhecida. O Dr. Joseph Glenmullen, da Escola de Medicina de Harvard e autor do livro Prozac Backlash (2001), diz que apesar da "ausência de doenças verificáveis" a psicofarmacologia "não tem hesitado em construir um 'modelo de doenças' para diagnósticos psiquiátricos". Ele continua dizendo que "esses modelos são sugestões hipotéticas do que pode ser a explicação fisiológica - por exemplo um desequilíbrio de serotonina". (Anon, 2008:2). Dra. Hendrickson sobre isso afirma: "Mas não há provas de que os níveis anormais dessas substâncias químicas tenham se desenvolvido por si mesmos, causando, assim, a sua dor emocional" (Hendrickson, 2013:173). Aliás, já se sabia há muito que não havia qualquer confirmação científica de que a depleção de serotonina teria qualquer papel determinante sobre o assunto (Valenstein, 1998:3). Então, quando conselheiros bíblico como Heath Lambert afirmam que "não há exame de sangue para 'depressão clínica', nem biópsia que detecte desordem bipolar, ou tomografia que identifique desordem de personalidade boderline" (Lambert, 2014:Loc 329), ele não está sendo nem simplista, nem ignorante; mas refletindo sobre aquilo que especialistas têm escrito e publicado ao longo do percurso.
Não obstante as evidências, ainda perdura a aceitação da teoria, como quem está perdido mas não pára para perguntar qual é o caminho de volta. Mas alguém poderia perguntar quem estaria interessado na aceitação dessa teoria, afinal? Iona Heath, clínica geral do Caversham Pratice, de Londres, em artigo publicado no The Guardian, sugeriu que as companhias farmacêuticas seriam as maiores interessadas no grande aumento da gama de anormalidades, visto que o mercado de seus respectivos tratamentos cresce proporcionalmente (Anon, 2008:3). Um estudo de 2006, publicado em Psychotherapy and Psychosomatics mostrou que 100% dos psiquiatras que foram responsáveis por descobertas de doenças mentais na seção de desordens psicóticas, foram financiados por alguma companhia de drogas psiquiátricas (Anon, 2008:3). Anos antes, Dr. Sydney Waler III, neurologista e psiquiatra, já havia escrito em seu livro A dose of Sanity (1996:239-230) que a influência de companhias farmacêuticas tinha seu como foco "a expansão do número de 'desordens psiquiátricas' reconhecidas pela APA e o número de drogas recomendadas para essas desordens". E conclui: "Afinal, todo diagnóstico no DSM é uma potencial mina de ouro para as firmas farmacêuticas".

Novamente uma série de afirmações chocantes. Para nós, leigos desconhecedores do universo todo próprio da medicina, seria muito afirmar que a indústria psicofarmacológica tenha influenciado diretamente no aumento do catálogo do DSM (Manual Diagnóstico de Desordens Mentais). Contudo, não fossem essas afirmações vindas de autoridades no assunto, estaríamos prontos a duvidar. Talvez estas afirmações estejam alicerçadas sob o seguinte dado: o crescimento do número de desordens e doenças mentais, em um período de 5 anos fez com que o DSM  experimentasse um crescimento de 300%. Isso não indicaria nada se desde a publicação da quarta edição do DSM, em 1994, não houvesse um aumento de 256% nas vendas de drogas antipsicóticas e antidepressivas (Anon, 2008:3).

Quando nosso mapa está confiado no "assim diz a ciência", corremos o risco de nos perder. Como cristãos, que caminham entre desequilíbrios e novo equilíbrio, confiamos no "assim diz o Senhor". Sabemos onde queremos chegar, pois nosso mapa, a Bíblia, não somente nos aponta o destino, como uma bússola, mas também nos indica o Caminho, a Verdade e a Vida, provendo assim mais do que um mapa: companhia para viagem. Se nossa confiança inabalável nas descobertas farmacológicas e médicas se desequilibram aqui, um novo passo, à frente, traz equilíbrio... e assim, um dia, quando olhar para trás, poderemos dizer, como dito de Enoque, que andamos com Deus.
Jônatas Abdias

Referências bibliográficas
Anon.  2008.  Mental Health Care: What is the Alternative to Psychotropic Drugs?
Hendrickson, L.  2013.  Sobre os medicamentos: encontrando um equilíbrio.  (In Fitspatrick, E., ed.  Mulheres Aconselhando Mulheres: respostas bíblicas para os difíceis problemas da vida.  São Paulo: NUTRA.  p. 169-179).
Lambert, H.  2014.  The Gospel and Mental Illness: ACBC.
Valenstein, E.S.  1998.  Blaming the Brain: The Truth About Drugs and Mental Health: Free Press.
Walker III, S. & Kellogg, J.  1996.  A dose of sanity.  Nature Medicine, 2(11):1270.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A suficiência da Escritura para a vida e piedade

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Os cristãos, geralmente, não têm problema em afirmar a suficiência da Bíblia para a salvação. Porém, no que diz respeito às emoções, pensamentos, atitudes e comportamento, não são poucos os que negam a suficiência da Palavra. Prova disso é que a literatura de autoajuda é abundantemente consumida, inclusive entre crentes.

Isso é um claro contrassenso. Se a Escritura é suficiente para “nos tornar sábios para a salvação em Cristo Jesus” (2Tm 3.15) ela tem de ser também suficiente para tratar das nossas emoções e atitudes.

Conceitos e explicações seculares têm tomado cada dia mais espaço dentro da igreja e teorias têm ganhado o “status” de verdades absolutas. Tem sido ensinado de muitos púlpitos, por exemplo, que a maioria dos problemas dos crentes é causada pela falta de amor-próprio, o que é uma ideia totalmente antibíblica. A Escritura nunca ensinou que devemos nos amar, mas, sim, que devemos amar o próximo como já nos amamos (Mt 22.39; Ef 5.29).

Mais ainda, ansiedade virou doença, orgulho, egoísmo e soberba receberam o pomposo nome de “transtorno de personalidade narcisista”, e a cada ano surgem novas síndromes e transtornos que tentam “patologizar” o que a Bíblia chama de pecado. Terapeutas têm tentado ajudar seus pacientes a “viver melhor” ao fazê-los crer que eles não são culpados pelos seus atos, antes, a culpa está na forma como foram criados ou no meio em que vivem.

Cada vez menos os crentes recorrem às Escrituras e aos gabinetes pastorais para aconselhamento bíblico a fim de entender seus sentimentos e comportamento, pois, em seu entendimento, isso não é trabalho pastoral, requer ajuda de um profissional qualificado. David Powlison mostra em um artigo que não é à toa que a igreja tenha sido criticada por dois psicólogos seculares, O. Hobart Mower e Karl Manninger. “Mower perguntou: ‘Será que a religião evangélica vendeu seu direito de primogenitura pela panela de cozido da psicologia?’ Menninger escreveu um livro cujo título soa provocador: Whatever Hapenned of Sin? (O que aconteceu com o pecado?)”[1].

Um caminho melhor

Na contramão de tudo isso, o apóstolo Pedro afirma categoricamente que pelo divino poder de Deus “nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2Pe 1.3). Para Pedro, se o homem conhece ao Senhor, ele tem tudo aquilo de que necessita para a vida e piedade. Observe bem, Pedro não diz algumas coisas, mas tudo o que é necessário.

A igreja deve urgentemente voltar os olhos para a Palavra de Deus, que é a maneira que temos de guardar puro o nosso caminho (Sl 119.9). Precisamos crer no que Paulo escreveu à Timóteo, que a Palavra de Deus “é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e educação na justiça a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16,17). Uma possível tradução para a palavra perfeito é “completo”, ou seja, a Palavra é útil para que o homem seja completo.

O escritor da epístola aos Hebreus demonstra a eficácia da Palavra de Deus ao ensinar: “Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hb 4.12). Perceba que o escritor afirma que a Palavra sonda o mais profundo do nosso ser e revela as intenções do nosso coração.

A Bíblia ensina que o coração é o centro de controle do homem. É em virtude disso que o livro de Provérbios ensina que devemos guardar, sobretudo, o coração, porque dele procedem as fontes da vida (Pv 4.23). É por isso também que o Senhor Jesus, confrontando os fariseus, afirmou que a boca fala do que está cheio o coração (Mt 12.34) e ensinando os discípulos disse que do coração é que procedem os maus desígnios (Mt15.19).

O rei Davi, no Salmo 139, faz um pedido que deve nos servir de exemplo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.24). Ele faz o pedido certo para a pessoa certa. Só Deus pode esquadrinhar o coração (Jr 17.10); e, como vimos, ele o faz por meio da Palavra (Hb 4.12).

Sendo o coração o que controla o homem e sabendo que é a Palavra de Deus que penetra o coração, devemos recorrer a ela, encher o coração dela, ser santificados por meio dela (Jo 17.17). Ela é suficiente para nossa vida e piedade.

Usando a Bíblia corretamente

Quando falamos da suficiência das Escrituras para a vida e piedade é necessário deixar claro que isso implica uma fiel exposição da Palavra.

Ao recorrer à Bíblia para buscar orientação não devemos procurar simplesmente versículos isolados que validem ou invalidem uma determinada prática, mas estudar com seriedade, buscando um entendimento correto do texto dentro de seus contextos. Fazendo assim, teremos mandamentos e princípios que orientarão com precisão a nossa vida.

A falta de um entendimento correto da Palavra de Deus tem levado muitos a duvidar de que ela é capaz de orientar o homem quanto às suas emoções e comportamento, porém, como afirma Mark Dever: “A Palavra de Deus sempre foi o instrumento que Ele escolheu para criar, convencer, converter e conformar o seu povo. desde o primeiro anúncio do evangelho em Gênesis 3.15 até à promessa inicial feita à Abraão, em Gênesis 12.13, bem como até à regulação dessa promessa, por meio de sua Palavra, nos Dez Mandamentos (Êxodo 20), Deus outorgou vida, saúde e santidade ao seu povo por intermédio de sua Palavra.[2]

Isso torna indispensável ao crente o debruçar-se sobre a Palavra e a busca da iluminação do Espírito a fim de ter um conhecimento correto da Escritura e aplicá-la em todas as áreas da vida.

Conscientes de que vivemos numa sociedade que busca explicar o comportamento humano usando princípios antibíblicos, tenhamos, de fato, a Bíblia como nossa regra de fé e prática e que ao invés de recorrer à sabedoria deste mundo, busquemos o conhecimento da Palavra de Deus enchendo o coração dela.

Certamente o Senhor se agradará e derramará sobre nós suas bênçãos.

Milton C. J. Junior


[1] David Powlison. Integração ou inundação? In: Religião de Poder. São Paulo: Cultura Cristã, 1998, pp. 166,167

[2] Mark Dever & Paul Alexander. Deliberadamente Igreja. São Paulo: Fiel, 2005, pp. 41,42

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Aconselhamento bíblico – um caminho para a revitalização da igreja.

 

revitalizaçãoHabite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.

E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. Colossenses 3. 16, 17.

No ano de 2013 participei da importante conferência em aconselhamento bíblico promovido pela ABCB (Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos) e pude ver algo realmente intrigante. Em um momento de folga entre uma palestra e outra, nos reunimos para tomar o famoso “cafezinho”. Para minha surpresa, reunidos em um só lugar, participando da mesma conferência e “falando a mesma língua”, homens e mulheres de diversas linhas teológicas, reformados e pentecostais, juntos estudando a Suficiência da Escritura no Aconselhamento.

Essa foi uma experiência curiosa, afinal, pude ver irmãos em Cristo unidos em torno de um tema fundamental para a teologia reformada que é a doutrina da Suficiência da Escritura. Evidentemente esta doutrina não é exclusiva de um grupo. Entretanto, historicamente, os reformados avançaram na defesa desta doutrina mais que qualquer outro grupo.

O legado reformado é mesmo riquíssimo, pois defende a Palavra de Deus como suficiente para os dilemas do coração. Para cada aspecto da vida, para cada dilema do coração, para cada momento de medo e perturbação da paz, para cada angústia a dilacerar a mente, há uma resposta bíblica eficaz.

Sei que há em nossos dias aqueles que estão a sentenciar que devemos ser menos reformados e mais “cordatos” com outras teologias. Sei que temos ouvido que devemos nos preocupar mais com o amor ao próximo do que qualquer outra coisa. Entretanto, quando de fato exercitamos a prática do aconselhamento, ou seja, o ato de ajudar irmãos em Cristo a superar seus pecados (se arrependendo dos seus pecados) mesmo em meio a mais densa treva, para tão somente se parecerem mais com Cristo, perceberemos que tais orientações mencionadas acima, nos levarão a conselhos ineficazes, nos levarão a ensinar, direta ou indiretamente que Cristo e sua Palavra são bons, mas não são suficientes, e isso definitivamente não é amar.

Há muitos anos escutei que o pastor conselheiro deveria conhecer o seu limite. Dito de outra forma: o pastor deve saber que é limitado e que, para determinados problemas do comportamento tais como medo, angustia, depressão, ansiedade, etc. o conselheiro deve encaminhar o aconselhado para alguém que conseguirá tratar realmente o problema, ou seja, os profissionais da área da psicoterapia.

O movimento de aconselhamento bíblico está crescendo e alcançando irmãos em Cristo de várias denominações. Junto a este crescimento, a consequência imediata será o exame mais aprofundado, mais cuidadoso, sobre a Palavra de Deus. Alguns ambientes de difícil acesso a pastores reformados, estão podendo respirar os ares da grandiosa doutrina da Suficiência da Escritura. Através do exame cuidadoso da Palavra de Deus, poderão meditar sobre Deus, seus magníficos e santos atributos, a obra vicária de Jesus Cristo, o triunfo e a eficácia da ação do Santo Espírito de Deus... enfim, poderão vislumbrar as chamadas doutrinas da graça, poderão contemplar a tragédia do pecado e como o pecado corrompe a alma, perverte os sentidos e dilacera o coração. Poderão ver com nitidez a gravidade do pecado como um mal moral. E, vendo com clareza bíblica sobre o pecado, poderão apresentar com clareza bíblica as respostas e os caminhos necessários para que o pecador se arrenda e se aproxime ainda mais de Jesus Cristo.

Tenho visto com tristeza o desprezo com que esta disciplina tem sido encarada e tratada em muitos ambientes presbiterianos. Porém, tenho visto ultimamente um despertar auto confrontador. Homens e mulheres com coragem santa para erguerem o estandarte da Cruz, se especializarem no conhecimento do aconselhamento bíblico para orientar seus irmãos em Cristo, rompendo assim com um ciclo estranho em que orientações ímpias originadas de ímpios foram recebidas com simpatia pela igreja.

Ao longo de anos a igreja abriu as portas para pensadores ímpios apresentarem suas propostas de conduta das normas morais. Convivemos há décadas com as orientações de homens e mulheres sem nenhum compromisso com Deus, ensinando a igreja na criação de filhos, ensinando a igreja sobre relacionamentos conjugais, ensinando a igreja na resolução de conflitos, ensinando a igreja a ser mais tolerante com o pecado, ensinando a igreja a se comportar diante da morte, diante do luto, diante dos dilemas do coração. Décadas de informação e formação fora dos padrões bíblicos teria uma consequência muito clara. Desânimo, frieza espiritual, atividades recreativas para animar o povo, para manter acessa alguma chama. O culto a Deus deixou de ser atrativo por si só. É claro que uma igreja caminhando este perverso caminho perderia sua empolgação e sua devoção a Deus. Tal igreja perderia seus jovens e desmotivaria seus anciãos.

O atual crescimento pelo interesse do aconselhamento bíblico enche meu coração de santa esperança, pois ao mesmo tempo em que somos treinados a exercitarmos uma contra cultura diante de uma cultura ímpia, somos impulsionados ao conhecimento de Deus e de sua Palavra. Bálsamo para a alma e fonte segura de conhecimento de Deus e de autoconhecimento – encontrados exclusivamente nas Escrituras Sagradas.

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos.

Salmo 119.105

Para aqueles que decidiram trilhar o caminho do aconselhamento bíblico continuem com coragem e humildade (Sl 119. 141). Com preparo acadêmico e completa dependência do Santo Espírito de Deus. Não fiquem intimidados quando forem desprezados, mas preparem-se para orientar, confrontar e discipular quando Deus os chamar para esta empolgante tarefa.

Sei que há muito investimento e treinamento atualmente na área de revitalização de igrejas. O aconselhamento bíblico pode ser usado para contribuir de forma bíblica e segura para que isso aconteça.

Que o Senhor nos ajude.

Soli Deo Gloria

Jean Carlos Serra Freitas

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