quinta-feira, 17 de julho de 2014

Nós podemos fazer melhor que isso: falando a verdade em amor na era da internet

Discussao-pela-Internet
"Alguém há cuja tagarelice é como pedras de espada, mas a língua dos sábios é medicina"
Ponderava sobre o assunto quando providencialmente me deparei com este artigo interessantíssimo de Heath Lambert. Ele é o diretor executivo da ACBC (Associations of Certified Biblical Counselors - antiga NANC) e professor associado de Aconselhamento Bíblico no Southern Seminary e Boyce College, além de autor de livros e artigos.
Esta não é exatamente uma tradução do artigo originalmente publicado em inglês por Lambert. Mas basicamente a interação com o artigo. Adianto que algumas particularidades serão omitidas, por conta da distância cultural, mas ao final o link para o artigo original lhe permitirá saber mais se desejar.
Mais calor do que luz
O autor está desabafando sobre deu desapontamento com David Murray, que postou críticas em seu site sobre seus artigos a respeito de doença mental. Ele e outros que leram as palavras de Murray acharam seus comentários exageradamente rudes, fazendo uma desonesta caricatura de sua posição a respeito do assunto. Em dias de internet onde qualquer um pode ter um blog e escrever sobre o que bem entender, situações como estas são facilmente experimentáveis em quase todas as interações sociais possíveis, principalmente após o advento das redes sociais, que ainda tornam a dinâmica das informações mais intensa.
Lambert classificou o resultado da crítica de Murray como uma espécie de coquetel Molotov: Muito quente, com muitos danos, mas com luz de pouca duração. De fato, algumas discussões pela internet parecem uma boa ideia no começo. Mas por algum motivo, elas tendem a muito rapidamente se deteriorarem em criticismo ácido e atrito, dando espaço para que as emoções esquentem, mas pouca luz seja lançada sobre o assunto. Lambert lamenta que, se ele ao menos tivesse esperado para que as postagens chegassem ao final, não haveria razão para o ataque. Ele diz: "Por mais verdade que seja, não desejo um vai-e-vem com David na internet. Já fizemos isso antes, e não achei útil. Aqui eu desejo me endereçar a um assunto mais amplo. Este assunto diz respeito a Como crentes devem discordar uns com os outros na era dos blogs e Tweets da internet." Então, se não ficou claro até aqui, que esta citação elucide com razoável clareza meu interesse no artigo que passo a traduzir:

1. Ouça primeiro, Blog depois
"Todo homem, pois, seja pronta para ouvir, tardio para falar..." (Tiago 1.19)
Jesus ama relacionamentos mais do que brigas. Desentendimentos podem levar a mais acessos em um blog, mas Jesus deseja coisas melhores para seu povo. Há tempo e lugar para respostas públicas a declarações públicas. Uma forte e audível crítica é frequentemente apropriada. Mas onde nós aprendemos que um espasmo de publicidade deve preceder o ouvir a questão toda?
Isto não diz respeito a Mateus 18. D. A. Carson escreveu esclarecedoramente sobre a inaplicabilidade desta passagem a discursos públicos... Para mim, a questão gira em torno de como nós amamos uns aos outros melhor.
De fato, um inexplicável temor de pessoas nos acomete quando, podendo usufruir de outros mecanismos, como uma chamada telefônica, ou um contato pessoal, preferimos blogar publicamente sobre assuntos e dúvidas que bem poderiam ser pacificamente resolvidos em interações menos públicas.
Precisamos de convicção e cuidado aqui. Precisamos de convicção para responder ao erro. E precisamos de cuidado para nos assegurar de que percebemos o erro real. Isto requere boa vontade no ouvir. Quando você discorda de alguém que você conhece, vale à pena todo o esforço em ouvi-lo antes de atacá-lo publicamente.
2.  Diga a verdade a respeito do seu irmão

Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos. (Col 3.9)
Se desejamos ter integridade em seus desacordos, precisamos dizer a verdade sobre a posição de nosso irmão. Isto normalmente significa reafirmar sua posição em termos que ele reconheça ser justa.
O que não é incomum encontrar é uma caricatura de nossos pensamentos refletidos em críticas que não se justificariam caso o opositor conhece, ou ouvisse com atenção, qual é a nossa verdadeira posição.
Você não precisa inventar uma coisa totalmente inédita para dizer uma mentira. Meias-verdades são tão enganosas quando fabricações completas. Ambas, declarações equivocadas e desonestidade flagrante desabilitam a causa da verdade.
Construir argumentos quixotescos contra posicionamentos que, na verdade, não são sustentados por quem discordamos, não contribuem para que a verdade avance sobre a terra. E como poderiam?
3. Presuma o melhor a respeito do seu irmão; não pule para conclusões
O amor "tudo crê" (1 Co 13.7)
E um ato de cuidado de amor presumir coisas boas sobre seu irmão até haver evidências para crer no contrário. Isto significa que deveríamos ler e ouvir as pessoas caridosamente e estender uma suposição de bons motivos a eles tanto quanto pudermos. No Reino de Cristo relacionamentos são muito importantes para se pensar o pior das pessoas.
Por vezes, se assume que as piores respostas serão dadas às nossa perguntas. Quão frequente, porém, ficamos surpreendidos quando ouvimos as respostas reais, não?

Uma outra forma de colocar isso é dizer que devemos tratar os outros com a mesma caridade com que desejamos ser tratados (Mt 7.12).
Falando a verdade em amor
Ainda oro para que todos nós, cristãos da era digital, aprendamos que a mensagem bíblica primeiramente escrita em pergaminhos com canetas tinteiros tenha relevância para nós sobre aquilo que escrevemos uns sobre os outros em nossos blogs. Paulo nos informa que "seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef. 4.15).
Não devemos desmerecer os intentos, ainda que desajeitados, daqueles que desejam ver o reino de Deus e sua verdade avançar em cada área da vida, e ver o senhorio de Cristo de manifestar em cada pensamento, atitude, bem como em cada palavra e texto. Mas nem por isso devemos, igualmente, achar injustas justificativas para a maneira desnecessariamente bélica e não amorosa com que cristãos venham a se tratar pelos blogs espalhados pela internet.
A Palavra de Deus nos diz que o único modo pelo qual mostramos maturidade é falando conteúdo verdadeiro de maneira amorosa.
Traduzido por: Jônatas Abdias de Macedo
Comentários: Jônatas Abdias de Macedo
Artigo original: www.biblicalcounseling.com/blog/we-can-do-better-than-this-speaking-truth-in-love-in-an-internet-age

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