domingo, 16 de junho de 2013

Aconselhamento: o que tem a ver comigo?

Pontos-de-interrogação

Uma situação cotidiana

Depois do futebol, numa roda de amigos, um deles acaba “soltando” que está prestes a se divorciar e fala de suas razões para isso. Rapidamente surgem várias opiniões, totalmente distintas umas das outras, apoiando ou reprovando a ideia. Isso é aconselhamento.

Na escola, um rapaz queixa-se com uma colega sobre a atitude de seus pais em proibi-lo de ir a um show e que isso o tinha deixado furioso. A colega, depois de ouvir, passa a falar sobre como ele deveria agir em relação a seus pais. Eis aqui novamente o conselho!

Duas amigas se encontram no supermercado. Durante a rápida conversa uma menciona os problemas que está enfrentando com o comportamento do filho. A outra, tentando ajudar, dá algumas dicas de educação de filhos. Isso também é aconselhar.

Há um ditado que diz que “se conselho fosse bom não se dava, vendia-se”, porém, os exemplos mencionados acima servem para demonstrar que, quer queiramos, quer não, estamos diariamente envolvidos com aconselhamento, seja na condição de conselheiros ou de aconselhados. Ainda que nem todos desenvolvam um ministério “oficial” de aconselhamento, a verdade é que aconselhamos a todo o tempo.

A diferença de uma para outra pessoa que aconselha é a base que usam para isso e aí está o principal dos problemas. Como vivemos em uma sociedade psicologizada, conceitos como “autoestima”, “necessidades sentidas” e mais outros tantos focados sempre no ego humano já fazem parte da visão de mundo de muitos crentes que, ao invés de recorrer à infalível Palavra de Deus, dão conselhos baseados em uma visão secular da vida.

Não ande no conselho dos ímpios

Sendo o aconselhamento algo tão presente na vida do ser humano, percebemos que não é sem razão a advertência da Palavra de Deus: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1.1).

Aqueles que não temem a Deus não se preocupam com a sua glória, portanto ao aconselhar não levarão em conta as ordenanças e os princípios bíblicos.

Como exemplo, pense em um dos casos citados no início, mas agora com mais informações. Depois do futebol, um grupo de amigos se senta para beliscar uns petiscos e conversar um pouco. Um deles, o Luís, professor de escola dominical em sua igreja local, afirma que ultimamente tem percebido que não ama mais a esposa como no início do casamento, que o relacionamento esfriou e que eles têm travado grandes discussões. Ele confessa estar muito triste com tudo isso e que tem pensado seriamente no divórcio.

Seu amigo Fábio, que não é crente, querendo ajudar, pondera que sem amor é impossível sustentar o casamento e que se ele não “sentia” mais nada pela esposa, o melhor mesmo era separar, afinal de contas, o importante mesmo é ser feliz.

Qual o problema com esse conselho? Justamente por não levar em conta o Senhor e a sua Palavra, o “conselheiro” focou apenas o resultado que traria “alívio” ao Luís. Para ele não importa qual a visão bíblica sobre o casamento, quais circunstâncias permitem o divórcio, ele também não entende que amor, nas Escrituras, é bem mais que um sentimento, mas uma atitude ordenada pelo Senhor. A única coisa que importa para Fábio é “resolver” o problema do seu amigo e, se Luís der ouvidos ao conselho, estará somente complicando ainda mais a sua vida, por quebrar o padrão estabelecido pelo seu Deus, pois, como afirmou Salomão, “os pensamentos do justo são retos, mas os conselhos do perverso, engano” (Pv 12.5).

Cuide para não dar conselhos ímpios

Outro problema que acontece corriqueiramente diz respeito a crentes dando conselhos ímpios. É bem verdade que todo cristão que se preza não hesita em afirmar que a Bíblia é a sua única regra de fé e de prática, mas, na prática, muitos demonstram não estar muito preocupados com o que foi estabelecido pelo Senhor.

Um episódio bíblico exemplifica perfeitamente essa questão. Abrão foi chamado por Deus para sair da sua terra e ir para uma terra que o Senhor iria mostrar. Deus ainda prometeu que faria dele uma grande nação (cf. Gn 12.1-2). Abrão era casado com Sarai, que era estéril, mas, a despeito disso, o Senhor prometeu que lhe daria um filho. Como se passaram 10 anos e Sarai ainda não tinha engravidado, ela resolveu dar um jeito na situação, tomou sua serva Agar, deu a Abrão para que se deitasse com ela e Sarai se edificasse com filhos por meio dela (cf. Gn 16.2).

O texto afirma que “Abrão anuiu ao conselho de Sarai”. Mesmo sendo uma serva do Senhor, Sarai dá um conselho ímpio e, ao acatar o conselho, Abrão fez de seu lar uma grande confusão, além do fato de ter colocado em dúvida a Palavra do Senhor.

Como servos de Deus, devemos estar bem vigilantes para não cair na cilada de aconselhar de forma ímpia, na expectativa de solucionar os problemas de forma rápida. Não são poucas as vezes que cristãos, sem ter o devido cuidado em avaliar biblicamente as situações, têm servido de instrumento de destruição e não de edificação na vida do próximo.

É necessário agir como se segue.

Aconselhe a Palavra de Deus

Cristianismo e aconselhamento são duas coisas que estão intrinsicamente ligadas. Os membros do corpo de Cristo são chamados a aconselhar, admoestar, repreender, instruir, corrigir, e consolar uns aos outros (Rm 14.4; Cl 3.16; Gl 6.1; 1Ts 5.14).

Para isso, o cristão deve crer que na Escritura Sagrada temos tudo aquilo que é necessário para nossa vida e para a nossa piedade (cf. 2Pe 1.3). O apóstolo Paulo, escrevendo ao jovem pastor Timóteo, afirmou que “toda a Escritura é inspirada por Deus” – e por isso – “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Diante disso, o resultado do uso das Escrituras no aconselhamento não poderia ser outro, senão o que Paulo afirma no versículo seguinte: “A fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.17).

Deus nos escolheu antes da fundação do mundo, a fim de sermos conformes à imagem de seu Filho, nosso Redentor, Cristo Jesus (cf. Rm 8.29). Dia após dia ele nos aperfeiçoará, santificando as nossas vidas e o meio que ele usará para isso será sempre a sua Palavra. Ao orar pelos seus discípulos, foi isso que o Senhor Jesus pediu ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).

Se queremos, portanto, ser eficazes ao cumprir a ordenança de aconselhar uns aos outros, precisamos:

a) Conhecer a Escritura – O apóstolo Paulo exortou Timóteo a que procurasse se apresentar diante de Deus como um obreiro aprovado e que maneja bem a palavra da verdade (cf. 2Tm 2.15). Devemos investir tempo na leitura da Bíblia Sagrada, não simplesmente fazendo uma leitura superficial, mas procurando entender os textos dentro de seus devidos contextos a fim de poder aplicá-los de forma correta às situações que sobrevêm em nossa vida cotidiana.

Foi por entender a importância do conhecimento da Palavra de Deus que o salmista afirmou que o homem bem-aventurado é aquele que o seu prazer “está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.2).

b) Praticar a Escritura – Não basta conhecer a Palavra de Deus, é necessário colocá-la em prática. Jesus afirma que aqueles que ouvem a Palavra e não a praticam são insensatos (cf. Mt 7.26). Seu irmão, Tiago, ensina que aqueles que somente ouvem a Palavra e não a praticam enganam a si mesmos (cf. Tg 1.22). Entretanto, continua Tiago: “Aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tg 1.25).

Podemos e devemos colocar em prática a Lei do Senhor, não por causa da nossa própria capacidade, mas porque contamos com o auxílio daquele que opera em nós o querer e o realizar, conforme a sua boa vontade e, por isso mesmo, nos ordena a desenvolver a nossa salvação (cf. Fp 2.12-13).

A razão de buscar o conhecimento da Palavra (“Guardo no coração as tuas palavras” – Sl 119.11a) não pode ser outra, senão o desejo de honrar o Senhor ao praticá-la (“para não pecar contra ti” – Sl 119.11b).

Devemos ser como Esdras, que dispôs “o coração para buscar a Lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e juízos” (Ed 7.10). A última das atitudes de Esdras é a que veremos a seguir e que precisamos também fazer.

c) Aconselhar com a Escritura – Vivemos em meio a uma sociedade em que várias vozes querem se fazer ouvir, e dizem saber como entender o homem, resolver seus conflitos interiores e modificar o seu comportamento.

Como afirmou Paulo, devemos ter todo o cuidado para não ser enredados com filosofias e vãs sutilezas que são conforme a tradição dos homens e os rudimentos do mundo e não segundo Cristo (cf. Cl 2.8).

No tempo do profeta Jeremias, falsos profetas confundiam o povo de Israel, “instruindo” o povo conforme os sonhos que diziam ter. O Senhor, por meio de Jeremias, então afirmou: “O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade” (Jr 23.28).

Guardadas as devidas proporções, devemos entender que as teorias seculares que tentam explicar o homem e a forma como ele se comporta também acabam instruindo de forma errada. Nessas teorias, o pecado passa a ser visto como doença (ou transtorno) e a responsabilidade pessoal é deixada de lado, pois o problema geralmente está no meio em que se vive ou naquilo que outros fizeram contra nós. O homem, na maioria das vezes, é visto como “vítima”.

É dever da igreja do Senhor fazer ecoar a voz daquele que entende perfeitamente o homem e sabe exatamente qual é a razão de todos os seus problemas. Devemos proclamar a voz do Criador e único capaz de redimir o homem.

Sendo a Escritura suficiente para a vida e para a piedade (cf. 2Pe 1.3), devemos ter a mesma convicção de Davi: “A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma” (Sl 19.7a). O que ele afirma aqui, literalmente, é que a Lei do Senhor traz a alma de volta para Deus.

É por tudo isso que devemos ser diligentes em nossa tarefa de aconselhar uns aos outros, instruindo-nos mutuamente pela Palavra de Deus. A Bíblia deve ser o nosso livro texto para avaliar os problemas e trazer a solução.

Que “habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16).

Isso será trabalhoso? Certamente! Mas permaneça firme e inabalável, sendo abundante na obra do Senhor, sabendo que nele o nosso trabalho não é vão (cf. 1Co 15.58).

Milton Jr.

Artigo escrito para a Revista “Proposta”, da União de Homens Presbiterianos (UPH), publicada pela Editora Cultura Cristã (2º Trimestre de 2013)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Enterre, também, seus ídolos

enterrando ídolos

“Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão” (Gn 35.1). A ordem foi dada pelo Senhor a Jacó num momento em que o seu coração estava cheio de temor. Ele estava com medo de ser destruído, juntamente com sua família, pelos cananeus e ferezeus, após seus filhos Simeão e Levi cometerem uma chacina matando todos os homens da cidade de Siquém.

Siquém havia violentado e levado cativa Diná, filha de Lia, portanto, irmã “plena” de Simeão e Levi. Jacó foi negligente não dando importância ao ocorrido e ainda consentindo com o casamento misto proposto por Hamor, pai de Siquém. Simeão e Levi entenderam corretamente a gravidade da situação, mas tomaram uma atitude errada. Pensando somente na vingança, profanaram a circuncisão, sinal da Santa Aliança. Dolosamente eles afirmaram que só permitiriam o casamento caso os homens da cidade se submetessem à circuncisão, o que eles fizeram. Porém, a trama era se aproveitar da fragilidade dos homens após esse ato e assassinar a todos, o que, de fato, fizeram.

Diante disso, Jacó repreendeu seus filhos, mas não foi pelas razões corretas. Ele não estava preocupado com o fato de os filhos terem feito uma guerra sem a chancela de Deus. Também não se preocupou com a profanação do sinal da Aliança e com o esvaziamento do seu significado numa empreitada de vingança. Não! Jacó repreendeu seus filhos porque entendeu que a atitude deles o havia tornado odioso entre os moradores daquela terra e ele corria o risco de ser destruído. Sua razão para repreender os filhos, além de egoísta, revelava falta de confiança no Deus que lhe havia feito promessas e mudado o seu nome para Israel (= “Deus prevalece”).

O temor invade o coração de Jacó quando a sua confiança deixa de ser no Deus que prevalece e passa a ser no seu “bom relacionamento” com os moradores da terra (confira no capítulo 34 de Gênesis).

Uma extraordinária lembrança

No início do capítulo 35, Deus então ordena que Jacó vá para Betel (35.1). A ordem é para que ele habitasse em Betel e ali fizesse um altar. É importante notar que, neste momento, Deus está trazendo algo à lembrança de Jacó. O altar seria feito “ao Deus que te apareceu [a Jacó] quando fugias da presença de Esaú”.

O fato de o Senhor enfatizar isso é extraordinário. Jacó estava com medo dos cananeus e ferezeus, temendo que eles o destruíssem juntamente com sua casa e Deus está lembrando que, em outra ocasião de temor, quando estava sob o risco de perecer sob a ira do seu irmão Esaú (a quem tinha enganado), o Senhor o havia guardado. É como se Deus estivesse dizendo: “Jacó, lembre-se de que eu sou o Deus que te apareceu em Betel e fiz promessas. Lembre-se de que eu já te livrei de morrer e minhas promessas permanecem de pé”.

Jacó entendeu o recado. Ele convoca sua caravana e diz: “Subamos a Betel. Farei ali um altar ao Deus que me respondeu no dia da angústia e me acompanhou no caminho por onde andei (35.3). Ele relembra, então, que Deus tem estado ao seu lado, o tem amparado e tem cumprido suas promessas e afirma que faria, em Betel, um altar a esse Deus.

Ao chegar a Betel e edificar o altar, a lembrança permanece em sua mente. Ele chama o lugar de “El-Betel; porque ali Deus se revelou quando fugia da presença de seu irmão” (35.7).

Em um momento de angústia e temor, Jacó foi lembrado a respeito da fidelidade e da segurança que tinha no Senhor.

Livrando-se dos ídolos

Essa lembrança produziu um resultado piedoso. Assim que ouviu o Senhor mencionar o momento em que tinha aparecido a Jacó pela primeira vez, ele ordenou à sua família e toda a caravana que lançassem fora os deuses estranhos.

É necessário lembrar que toda idolatria iconográfica é o resultado final da idolatria do coração. Aqueles que chegam a esculpir ou desenhar seus deuses simplesmente revelam aquilo em que o seu coração confia.

É preciso lembrar também que na saída da casa de Labão, seu sogro, Raquel havia roubado de seu pai os ídolos do lar, mas ainda que não houvesse a presença física dos ídolos, tanto ela quanto Jacó e sua irmã Lia revelaram um coração bastante idólatra, tempos atrás. Jacó tinha na beleza a sua razão de viver, tanto que, ao ser enganado por Labão e ter se casado com Lia, dispôs-se a trabalhar mais sete anos em favor daquela que “era formosa de porte e de semblante” (Gn 29.17), estabelecendo assim um casamento bígamo. Lia tinha no amor de Jacó a sua razão de viver e usava seus filhos para tentar conseguir esse amor (Gn 29.31-34; 30.20). Raquel, por sua vez, tinha na maternidade a sua razão de viver chegando a se irar com Jacó e declarar toda a sua idolatria ao afirmar: “Dá-me filhos, senão morrerei” (30.1). A idolatria era tamanha que ao conceber, de forma milagrosa, pela primeira vez, em vez de louvar a Deus disse: “quero ainda outro”, chamando-o de José.

Perceba que nenhum desses desejos é pecaminoso em si. Querer uma esposa bonita, o amor do marido ou a bênção de ter filhos eram desejos lícitos que se tornaram pecaminosos a partir do momento em que cada um desses personagens pecou para consegui-los ou pecou por não ter o que queria.

Voltando então ao ponto, convocar a família e o povo a lançar fora os deuses estranhos significava que somente no Senhor deveria estar a confiança, a alegria, a segurança e tudo mais que buscavam.

Jacó ordena ainda que eles se purifiquem e mudem de vestes, gesto que simbolizava purificação da contaminação dos ídolos para a pureza diante de Deus. Eles deveriam trilhar um novo e purificado caminho de vida (35.2).

A caravana atendeu a Jacó (35.4) e cada um entregou os deuses e as argolas que usavam nas orelhas como uma espécie de amuleto. Jacó pegou tudo aquilo, todos os amuletos e todos os deuses estranhos, e os enterrou debaixo de um carvalho, em Siquém.

Experimentando alívio

Quando eles partiram, após entenderem que o Senhor era fiel e que deviam temer a ele e não aos ídolos (no momento, as nações eram também ídolos, pois eram vistas como maiores que Deus), eles experimentam algo maravilhoso.

Eles viram aqueles que eram o motivo de seu temor, temendo o “Deus que prevalece” quando “o terror de Deus invadiu as cidades circunvizinhas” (35.5) e, consequentemente, não perseguiram os filhos de Jacó. O temeroso Jacó teve mais uma prova de que o Deus da Aliança estava cumprindo fielmente o plano de fazer dele uma nação. Não havia, então, o que temer.

Ele termina, como já foi visto, levantando um altar e adorando ao Senhor.

Enterre os seus ídolos aos pés da cruz

Quais são os temores que tomam conta do seu coração? Em que ou em quem você tem depositado a sua confiança? Quais desejos o têm levado a pecar contra o Senhor?

As razões que podem tirar o seu sossego, trazer angústia, tristeza e deixá-lo ansioso podem ser variadas, mas uma coisa é certa: sempre que você procurar conforto, segurança, alegria, satisfação fora do Senhor, estará levantando um falso deus diante de si e incorrendo, assim, em idolatria. Os falsos deuses podem até prometer alegria, mas eles não são capazes de cumprir suas promessas.

Quais são os falsos deuses que você precisar enterrar hoje, não debaixo do carvalho como fez Jacó, mas aos pés da cruz de Jesus Cristo? Faça uma análise de sua vida e verifique se você não tem buscado alegria no dinheiro, em pessoas, status, comida, bebida, prazeres dessa vida, etc. Se a fonte do seu prazer está em coisas ou pessoas em vez de estar somente em Cristo, confesse ao Senhor esse pecado.

Ao enterrar seus ídolos aos pés da cruz você, certamente, experimentará a paz de Cristo que excede todo entendimento (Fp 4.7). Você estará seguro e louvará a Deus a despeito das circunstâncias (Fp 4.10-13). Tendo o Senhor como único Deus você poderá usufruir tudo aquilo que ele nos concede sem se deixar dominar por nenhum deles (1Co 6.12), fazendo tudo para a glória dele (1Co 10.31).

Em seus momentos de dificuldade obedeça então à ordem do apóstolo Pedro e lance sobre Cristo Jesus toda a sua ansiedade, sabendo que ele cuida dos seus (1Pe 5.7). Lembre-se também das palavras do Senhor, que prometeu: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

Milton Jr.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A astúcia da idolatria

a-parc3a1bola-do-fariseu-e-do-publicanoO tema da idolatria é visto de forma abundante nas Escrituras. Quando Deus criou o homem, o fez um servo. Como servo ele deveria obedecer, temer, adorar, buscar satisfação, alegria, segurança, identidade, etc., no Senhor. Creio que isso foi bem colocado pelos teólogos de Westminster no Breve Catecismo, quando perguntaram: “Qual é o fim principal do homem?” e responderam: “O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre” (pergunta 1).

Ocorre que o homem foi posto à prova a fim de testar seu amor a Deus. O Senhor concedeu a ele tudo, menos provar da árvore do conhecimento do bem e do mal sob pena de morrer caso desobedecesse (Gn 2.16,17). O fim da história todos sabemos, o homem pecou e foi expulso do jardim do Éden.

Quando observamos a tentação percebemos a sutileza da serpente. Depois de questionar a bondade de Deus insinuando que ele não dava o que eles mereciam (“É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?” – Gn 3.1) e ouvir da mulher que Deus os tinha privado apenas da árvore do conhecimento do bem e do mal, a serpente afirmou que era certo que não morreriam. A razão da proibição, disse ela, é que Deus não queria “concorrência”, pois se provassem do fruto eles seriam como Deus, conhecedores do bem e do mal. O que estava em jogo aqui era a autonomia que teriam. Não seria mais preciso servir ao Senhor e buscar nele satisfação, alegria, segurança, identidade, etc., pois eles mesmos seriam deuses.

A idolatria se caracteriza em buscar em coisas, pessoas ou em si mesmo aquilo que só pode ser encontrado no Senhor. É idolatria, portanto, fazer nossa vontade em vez da do Senhor e buscar o nosso reino em vem do Reino de Deus, daí o Senhor ordenar aos que queriam segui-lo que negassem a si mesmos (Mt 16.24).

Muitos acham que a idolatria está restrita ao fazer imagens de escultura e prestar culto a elas, como está ordenado no segundo mandamento (Êx 20.4-6) e nisso já vemos o caráter astuto da idolatria. O pensamento é: “Se não me dobro diante de imagens, não sou um idólatra”. Porém, estes esquecem que antes disso o Senhor também ordenou: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Ou seja, a idolatria “escultural” ou “iconográfica” é somente o desdobramento da idolatria que acontece no coração.

Isso se comprova quando vemos o Senhor reprovando, por meio do profeta Ezequiel, os homens que levantavam ídolos em seu coração (Cf. Ez 14.4-11) e quando João termina sua primeira epístola exortando: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5.19), mesmo não tendo falado uma vez sequer em “imagens de escultura”, mas falando abundantemente sobre amar a Deus e não ao mundo e sobre cumprir os mandamentos do Senhor.

Diante disso, alguns podem pensar: “Então basta cumprirmos os mandamentos que estaremos livres da idolatria”. Eu diria talvez, e isso também por causa do caráter astuto da idolatria. Se cumprimos os mandamentos como expressão de amor e submissão a Deus, estamos agindo corretamente, mas infelizmente a idolatria pode transformar ações que seriam corretas em pecado.

Pense como muitas vezes nos enganamos! Quando conhecemos alguém que não contribui financeiramente com a igreja, entregando seus dízimos e ofertas, pensamos rapidamente que se trata de um sovina, de alguém que ama demais o dinheiro. Por outro lado, quando conhecemos um dizimista fiel e pontual em sua oferta, pensamos logo que se trata de um irmão fiel, que ama a Cristo. O problema é que ambos podem amar mesmo é o dinheiro, somente agem de forma distinta. O primeiro ama tanto que não se importa com a ordenança bíblica para as contribuições, já o segundo ama tanto que tem medo de que Deus o amaldiçoe tirando os outros 90% e essa é a única razão para a contribuição.

Pense ainda em alguém que é ultrajado e não se vinga. Esse poderia ser um exemplo de alguém que cumpre o mandamento de não se vingar (Rm 10.18), exceto pelo fato de sua motivação não ser dar lugar à ira de Deus, como ordenado no versículo 19, mas demonstrar como ele é superior ao outro, não se rebaixando ao fazer o mesmo. Nos dois casos a idolatria se caracteriza pelo amor ao dinheiro, ao ego ou à reputação, mais que a Deus.

Pensando em exemplos bíblicos poderíamos citar o desejo de Raquel por um filho. Esse desejo, que em si mesmo não seria pecaminoso, tornou-se um ídolo quando ela achou que dependia disso para ser realizada, ao dizer a Jacó: “Dá-me filhos, senão morrerei” (Gn 30.1), ou Moisés, que diante da possibilidade de ser visto como um líder negligente pelo povo, pediu a Deus: “Se é assim que me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria” (Nm 11.15), demonstrando que amava mesmo era a sua reputação, ou ainda o fariseu da parábola contada em Lucas 18.9-14, que cumpria a lei confiando em sua própria justiça diante de Deus e se achando mais digno que o publicano.

Temos de concordar com Calvino. O coração do homem é, de fato, uma fábrica de ídolos. Tendo a idolatria esse caráter astuto, devemos rogar ao Senhor que guarde nossos corações e mentes em Cristo Jesus enquanto vigiamos e, pela Palavra de Deus, sondamos nosso coração a fim de verificar se aquilo que fazemos tem mesmo por fim a glória de Deus.

Milton Jr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Soberania de Deus – minha constante alegria

Gostaria de tratar aqui sobre a doutrina da soberania de Deus. Lembrar que Deus é soberano não é um favor à alma, mas uma obrigação ao servo fiel e leal a Deus, afinal, ele é o soberano Deus.

Não podemos defender a doutrina da soberania de Deus e ao mesmo tempo, viver como se ela não existisse. Lembrar que Deus é soberano implica em lembrar que Deus controla todas as coisas. Lembrar que Deus controla todas as coisas implica em lembrar que ele está no controle e que devemos descansar e confiar nele, pois todo bem procede de Deus. Lembrar que Deus é soberano, implica em submissão santa àquele que detém todo o poder para fazer valer sua vontade.

Devemos estar atentos às intempéries da vida. Devemos estar atentos quando as abruptas tempestades e tribulações que nos alcançam repentinamente. Devemos estar atentos para não permitir que o nosso coração produza a dúvida, a incerteza, a desconfiança sobre os eternos desígnios de Deus. Muita da nossa fadiga e aflição vem precisamente do triste fato de não confiarmos plenamente em Deus e nele descasar.

Em tempos de alegria, prosperidade e a chegada de bênçãos, somos apressados em declarar como Deus é soberano. Em tempos de aflição e descontentamento, como somos tardios para declarar a mesma verdade.

Quando o coração reluta em descansar no fato de Deus ser soberano, rapidamente nossas obras tornam-se frutos amargos, nossa alegria se esvai e olhamos com desconfiança para o futuro.

Parafraseando o reformador Lutero, “não sei por quais caminhos Deus me guia, mas confio no meu guia”. É assim que devemos proceder, confiando em nosso Pai celestial, pois ele é soberano. Sua majestade não tem fim, e nenhum dos seus planos pode ser frustrado!

Deus é soberano e soberanamente aplica sua bondade e seu perdão. De outra forma, não haveria esperança, não haveria redenção, não haveria comunhão. Nosso senhor Jesus Cristo veio para nos salvar, mas também veio para nos ensinar a honrar o Deus eterno. O mundo, a impiedade, a maldade crescente, a tragédia dos péssimos testemunhos, não podem e não devem impedir que o cristão se alegre e se regozije na bendita realidade da soberania de Deus.

Ainda que esta doutrina ora seja esquecida, ora seja rejeitada no todo ou em parte, não pode ser diminuída, maculada ou anulada. O pecado e a maldade não anulam quem Deus é. Absolutamente nada nem ninguém pode fazer isso.

Ele é o Deus soberano! Seu braço é forte e não pode ser detido. Sua vontade é sempre satisfeita. Seus planos são sempre cumpridos, conforme sua vontade e o seu tempo.

Uma das minhas maiores alegria como ministro da Palavra de Deus é ver com alegria e contentamento em meu coração a vontade do soberano Deus alcançar seus eleitos. Por isso, podemos ler com confiança: "... o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade (Isaías 46:10).

Jean Carlos Serra Freitas

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