sábado, 19 de maio de 2012

Aconselhe a Palavra de Deus

aconselhamentoCristianismo e aconselhamento são duas coisas que estão intrinsecamente ligadas. Os membros do corpo de Cristo são chamados a aconselhar, admoestar, repreender, instruir, corrigir, e consolar uns aos outros (Rm 14.4; Cl 3.16; Gl 6.1; 1Ts 5.14).

 

Para isso, o cristão deve crer que na Escritura Sagrada temos tudo aquilo que é necessário para nossa vida e para a nossa piedade (cf. 2Pe 1.3). O apóstolo Paulo, escrevendo ao jovem pastor Timóteo, afirmou que “toda a Escritura é inspirada por Deus” – e por isso – “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Diante disso, o resultado do uso das Escrituras no aconselhamento não poderia ser outro, senão o que Paulo afirma no versículo seguinte: “A fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra” (2Tm 3.17).

 

Deus nos escolheu antes da fundação do mundo, a fim de sermos conformes à imagem de seu Filho, nosso Redentor, Cristo Jesus (cf. Rm 8.29). Dia após dia ele nos aperfeiçoará, santificando as nossas vidas e o meio que ele usará para isso será sempre a sua Palavra. Ao orar pelos seus discípulos, foi isso que o Senhor Jesus pediu ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).

 

Se queremos, portanto, ser eficazes ao cumprir a ordenança de aconselhar uns aos outros, precisamos:

 

a) Conhecer a Escritura – O apóstolo Paulo exortou Timóteo a que procurasse se apresentar diante de Deus como um obreiro aprovado e que maneja bem a palavra da verdade (cf. 2Tm 2.15). Devemos investir tempo na leitura da Bíblia Sagrada, não simplesmente fazendo uma leitura superficial, mas procurando entender os textos dentro de seus devidos contextos a fim de poder aplicá-los de forma correta às situações que nos sobrevêm em nossa vida cotidiana.

 

Foi por entender a importância do conhecimento da Palavra de Deus que o salmista afirmou que o homem bem-aventurado é aquele que tem o seu prazer “na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.2).

 

b) Praticar a Escritura – Não basta conhecer a Palavra de Deus, é necessário colocá-la em prática. Jesus afirma que aqueles que ouvem a Palavra e não a praticam são insensatos (cf. Mt 7.26). Seu irmão, Tiago, ensina que aqueles que somente ouvem a Palavra e não a praticam enganam a si mesmos (cf. Tg 1.22). Entretanto, continua Tiago: “Aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tg 1.25).

 

Podemos e devemos colocar em prática a Lei do Senhor, não por causa da nossa própria capacidade, mas porque contamos com o auxílio daquele que opera em nós o querer e o realizar, conforme a sua boa vontade e, por isso mesmo, nos ordena a desenvolver a nossa salvação (cf. Fp 2.12,13).

 

A razão de buscar o conhecimento da Palavra (“Guardo no coração as tuas palavras” – Sl 119.11a) não pode ser outra, senão o desejo de honrar o Senhor ao praticá-la (“para não pecar contra ti” – Sl 119.11b).

 

Devemos ser como Esdras, que dispôs “o coração para buscar a Lei do Senhor, e para cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e juízos” (Ed 7.10). A última das atitudes de Esdras é a que veremos a seguir e que precisamos também fazer.

 

 

c) Aconselhar com a Escritura – Vivemos em meio a uma sociedade na qual várias vozes querem se fazer ouvir, e dizem saber como entender o homem, resolver seus conflitos interiores e modificar o seu comportamento.

 

Como afirmou Paulo, devemos ter todo o cuidado para não ser enredados com filosofias e vãs sutilezas que são conformes à tradição dos homens e os rudimentos do mundo e não segundo Cristo (cf. Cl 2.8).

 

No tempo do profeta Jeremias, falsos profetas confundiam o povo de Israel, “instruindo” o povo de acordo com os sonhos que diziam ter. O Senhor, por meio de Jeremias, então afirmou: “O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em que está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade” (Jr 23.28).

 

Guardadas as devidas proporções, devemos entender que as teorias seculares que tentam explicar o homem e a forma como ele se comporta também acabam instruindo de forma errada. Nessas teorias, o pecado passa a ser visto como doença (ou transtorno) e a responsabilidade pessoal é deixada de lado, pois o problema geralmente está no meio em que se vive ou naquilo que outros fizeram contra nós. O homem, na maioria das vezes, é visto como “vítima”.

 

É dever da Igreja do Senhor fazer ecoar a voz daquele que entende perfeitamente o homem e sabe exatamente qual é a razão de todos os seus problemas. Devemos proclamar a voz do Criador e único capaz de redimir o homem.

 

Sendo a Escritura suficiente para a vida e para a piedade (cf. 2Pe 1.3), devemos ter a mesma convicção de Davi: “A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma” (Sl 19.7a). O que ele afirma aqui, literalmente, é que a Lei do Senhor traz a alma de volta para Deus.

 

É por tudo isso que devemos ser diligentes em nossa tarefa de aconselhar uns aos outros, instruindo-nos mutuamente pela Palavra de Deus. A Bíblia deve ser o nosso livro texto para avaliar os problemas e trazer a solução.

 

Que “habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16).

 

Isso será trabalhoso? Certamente! Mas permaneça firme e inabalável, sendo abundante na obra do Senhor, sabendo que nele o nosso trabalho não é vão (cf. 1Co 15.58).

 

Milton Jr.

sábado, 5 de maio de 2012

Quem ama educa... com Bíblia!

Educar sem Bíblia é bons modos, não educação. Se quisermos demonstrar amor aos nossos filhos, não será enchendo-os de presentes, mas ensinando-os a encherem-se do Espírito, no qual não há dissolução (Ef. 5.18. Aproveite para fazer a conexão entre este texto e o de Tt 1.6, pois lá são acusados de “dissolução” os filhos mal educados).

 

Um outro aviso inicial é importante: bater pura e simplesmente, por qualquer motivo, sem acompanhamento bíblico e paciente instrução, é agressão, não disciplina bíblica.

 

Disciplinar é bater? Sim e não.

 

Primeiro, vamos começar corrigindo a motivação principal para criar filhos, pois “o objetivo supremo que você deve buscar para os seus filhos é o mesmo que o apóstolo Paulo tinha para os filhos dele na fé – que fossem conformados (gradativamente transformados) à imagem de Cristo” (Lou Priolo, O caminho para seu filho andar, pág. 19). Este princípio está alicerçado no que Paulo escreveu aos gálatas: “Meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl. 4.19).

 

Segundo, que bater sem explicações e exortações bíblicas é recebido como ato de injustiça. Pense em si, por um momento: como reagiria se um policial o parasse na estrada e então o levasse para a cadeia sem falar nada? Somente dizer que você está errado não adianta, afinal, se foi para a cadeia, certo não está não é? Não? Você quer justiça? Quer saber o motivo da prisão? Pois é, a criança não vai entender “automaticamente” que está errada só porque apanhou, assim como você, que nem sempre presume que porque alguém foi preso está compulsoriamente errado.

 

Terceiro, cabe aos pais ensinar aos filhos como reagir corretamente à disciplina. Eles não reagem naturalmente à disciplina, e Deus bem o sabe. No momento ela não parece uma demonstração de amor (Hb 12.11). Ensine seu filho a não ignorar ou desprezar a disciplina. Ensine-o a atentar (Pv 1.23) e a acolher a disciplina (Pv 13.18). Mas se seu filho faz pouco caso quando disciplinado verbalmente, ou sai enquanto você ainda fala com ele, então o ensine que é preciso escutar a repreensão (Pv 15.31). Lembre-se sempre que a vara não é toda a disciplina, mas um instrumento de ajuda.

 

Quarto, entenda o raciocínio por traz da vara (correção física). Este raciocínio começa com o problema básico de seu filho. Ele não é um anjo que caiu do céu. Ele é a sua imagem e semelhança, e por isso, pecador desde o ventre (Gn. 5.1; Sl 51.5). “Existem coisas, dentro do coração do mais doce bebezinho, que, ao permitir-se brotar e crescer à plenitude, acarretam sua eventual destruição” (Tedd Tripp, Pastoreando o Coração da Criança, pág. 121). Há questões envolvendo a educação infantil em que a conversa, tão somente, não supre, e é neste contexto que a vara funciona.

 

Qual é a função da vara? Se você quiser dar sabedoria ao seu filho, usará a vara, pois “a vara e a disciplina são sabedoria...” (Pv 29.15). Não usar a vara equivale a deixar a criança entregue a si, o que, em outras palavras é desejar que sua estultícia se desenvolva e tome conta do seu caráter, tornando-se em grande vergonha para seus pais no futuro. Em resumo: com objetivo de dar sabedoria, a vara “fornece uma demonstração táctil imediata da insensatez produzida pela rebelião. Propriamente administrada, a disciplina torna humilde o coração da criança, deixando-a sujeita à instrução dos pais. Cria-se uma atmosfera em que a instrução pode ser dada. A surra torna a criança complacente e pronta a receber palavras de vida” (Tedd Tripp, Pastoreando o Coração da Criança, pág. 123). Deus ordenou o uso da vara na disciplina, mas esta não é a única medida, embora precisemos utilizar este recurso.

 

O que é a vara? Tedd Tripp faz um excelente resumo do que o uso da vara por parte dos pais representa:

1.    Um ato de Fé. Deus ordenou seu uso e a obediência dos pais aponta para uma profunda expressão de confiança na sabedoria de Deus e não na sabedoria deste mundo.

2.    Um ato de Fidelidade. A Deus e a à criança. À Deus porque, embora sem ira ou raiva, o pai administra a vara em obediência a Deus. À criança porque esta é uma expressão de amor e compromisso. O que a criança vê em seus olhos quando você bate nelas? Lágrimas ou ira? Por amor derramamos lágrimas porque almejamos bem maior para nossos queridos.

3.    Uma responsabilidade. Pai e mãe não decidem a hora de bater, Deus sim! Quando um pecado precisa ser punido, a vara tem seu lugar. Quando usam a vara, os pais atuam como representantes de Deus, assumindo o seu chamado como pais.

4.    Uma punição física. “A vara é o uso cuidadoso, oportuno e controlado da punição física”, nunca deve ser uma forma de extravasar e externar a ira ou a frustração dos pais. Por não causar prazer é um antegosto do resultado final de uma atitude que pode trazer mais sofrimentos do que algumas palmadas podem proporcionar.

5.    Uma missão de resgate. “A criança que precisa de uma surra tornou-se distante de seus pais pela desobediência”, e a correção desta insensatez aproxima. Sabemos que a opinião dos “especialistas” caminha da direção contrária. Mas não é assim que Deus nos aproxima dele, corrigindo-nos?

 

A vara não funcionará se for usada de modo inconsistente, inconstante, ou como forma de expressar os sentimentos pecaminosos dos pais, como frustração e ira. Mas é um santo remédio para que os filhos cresçam obedientes, amáveis e educados.

Jônatas Abdias

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