sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sobre Aflição

afliçãoHá algum tempo tenho informado a igreja que pastoreio sobre como nossa geração desaprendeu a enfrentar o contraditório. Nossa geração não sabe perder, não sabe ouvir um sonoro não. Rejeição é um atentado, beleza agora é pós-beleza. Antes ouvíamos que algo era verdade ou mentira. Em tempos recentes ouvimos verdade, inverdade, não-verdade e pó-verdade. Há alguns anos, as crianças que disputavam alguma modalidade esportiva, somente ganhavam medalhas se chegassem em primeiro lugar. Hoje em dia, todos que disputam alguma modalidade esportiva, especialmente nas escolas, obrigatoriamente ganham medalhas. Com isso, treina-se uma geração a não suportar perder. Não sabem lidar com algo ou alguém que lhes diga algo que soe contrário ao seu sentimento.

Sei que o mundo está sendo pautado pelo politicamente correto, porém, assustadoramente também encontramos a mesma realidade na cultura evangélica atual. Ao menor sinal de indisposição, homens e mulheres dizem estar profundamente magoados. Os pastores estão precisando ponderar cada palavra, cada termo usado nas mensagens, para não contrariar os ouvidos sensíveis da membresia.

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos.      Salmo 119.105

A Palavra de Deus continua sendo um farol a iluminar o caminho correto. Estamos caminhando próximo aos rochedos. As tentativas de nublar os caminhos estão se intensificando. A única forma de não colidirmos contra os perigosos rochedos é olharmos para a luz que emana da Palavra de Deus, pois ela tem brilhado para nos mostrar o caminho correto a seguir.

Pensemos por um instante na desafiadora mensagem do versículo 71 do Salmo 119.

Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.

Esse versículo não se encaixa no pensamento médio do evangélico brasileiro. Na média, o que constatamos são mensagens de autoajuda, com “pitadas” de alguns versículos bíblicos.

Evidentemente ninguém deveria orar a Deus pedindo por aflição. A questão não é esta. Depois de algum tempo, o salmista pôde constatar que a aflição serviu para tornar mais claro os decretos de Deus. E, compreender os decretos de Deus é sempre muito bom, pois traz quietude ao coração que está em agonia e inquietação.

Para que possamos nos comprometer com este ensino apresentado pelo salmista, será necessário entender pelo menos dois aspectos.

O primeiro, é importante e vital ter o coração rendido às Escrituras Sagradas. O coração e a mente devem ser tomados pela centralidade da Palavra de Deus.

O segundo aspecto consiste em confiar plenamente na condução de Deus sobre todas as coisas. Viver como se ninguém estivesse no controle é desesperador. Lembrar que há um Deus santo, soberano e justo reinando absoluto é reconfortante e dá sentido à cada experiência pela qual passamos aqui nesta terra.

Não é uma tarefa fácil aplicar o ensino apresentado no versículo 105 do Salmo 119. Requer tempo em oração, leitura da Palavra e profundo desejo de ter verdadeira comunhão com o Deus Altíssimo. O Santo Espírito do Senhor guiará todos os seus filhos nesta caminhada gloriosa.

Aprender sobre os decretos de Deus significa aprender sobre o caráter de Deus. Quando sondamos a realidade dos decretos de Deus, percebemos que, ainda que não consigamos apreender toda a percepção da realidade e propósitos de Deus, podemos confiar nele plenamente.

Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;  2 Coríntios 4. 8 e 9

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Conhecendo a Deus e a si mesmo

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“Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22).

Ao conversar com a mulher samaritana, Jesus fez uma grave afirmação. Ela adorava a quem não conhecia. Ao olhar para esse texto, devemos também pensar seriamente sobre nossa vida cristã e sobre o nível de maturidade e conhecimento do Senhor que temos.

Conhecer a Deus da maneira correta, isto é, como ele se revela em sua Palavra, deve ser o alvo de nossa caminhada cristã. Porém esse conhecimento não é somente saber muito sobre teologia ou explanar bem sobre qualquer assunto bíblico, mas, sobretudo, ter uma vida de relacionamento íntimo com ele aplicando as verdades reveladas nas Escrituras em nossa vida.

O povo de Israel foi duramente repreendido pelo Senhor justamente por esta falta de conhecimento. No livro de Isaías lemos: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1.2). Por meio de Oséias o Senhor afirmou que esta era a causa da calamidade do povo, ao exortar: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” (Os 4.6).

O verdadeiro conhecimento de Deus é muito importante principalmente em nossos dias, quando as pessoas dizem crer em Deus, mas não têm ideia alguma sobre o objeto de sua fé ou que diferença essa crença nele poderá causar. O conhecimento de Deus, de seus atributos, nos faz, por exemplo, descansar em sua soberania sabendo que, aconteça o que acontecer, ele está no comando.

Este conhecimento é possível porque o Senhor decidiu revelar-se por meio de sua Palavra. É na Bíblia que conhecemos a Deus. Não se pode conhecer o Senhor sem abrir as páginas da Sagrada Escritura e, com a iluminação do Espírito Santo, meditar de dia e de noite (Sl 1). Na Bíblia temos Deus falando com o seu povo e instruindo-o a respeito dele mesmo e a respeito do caminho em que o povo deve andar.

Quando Jesus afirmou que rios de água viva fluiriam do interior daqueles que cressem nele, não deixou de apontar qual é o lugar onde o homem pode obter o conhecimento para crer. Ele foi enfático: “Quem crer em mim, como diz a Escritura...” (Jo 7.38). Por isso, se você quer conhecer a Deus, deve ler a sua Bíblia.

É esse conhecimento de Deus que permite ao homem conhecer a si mesmo, mas o humanismo característico de nosso tempo leva os homens a tentarem entender a si mesmos, desprezando a Deus. Sobre isso, podemos aprender com Calvino, em suas Institutas da Religião Cristã, onde escreve:

“É notório que o homem jamais pode ter claro conhecimento de si mesmo, se primeiramente não contemplar a face do Senhor, e então descer para examinar a si mesmo. Porque esta arrogância está arraigada em todos nós – sempre nos julgamos justos, verdadeiros, sábios e santos, a não ser que, havendo sinais evidentes, sejamos convencidos de que somos injustos, falsos, insensatos e impuros. Mas não seremos convencidos se só dermos atenção a nós mesmos, e não também ao Senhor, pois esta é a regra única à qual é necessário que se ajuste o julgamento que se queira fazer” (Livro I, p. 54).

Esta foi a experiência de Isaías ao entrar no templo e contemplar o Senhor. O resultado de tamanha experiência foi a declaração: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos”, e o perdão dos seus pecados, após esta confissão (Is 6.5-7).

Ou seja, o conhecimento de Deus é prático. Quanto mais conhecemos a Deus, mais nos conscientizamos de nosso estado pecaminoso, mais reconhecemos que necessitamos de sua misericórdia e que é essa misericórdia a causa de não sermos consumidos.

Como já foi afirmado e deve estar bem claro em nossa mente a fim de não nos ensoberbecermos: só podemos conhecer a Deus porque ele decidiu revelar-se a nós. E não só essa, mas todas as nossas ações em relação a Deus derivam de uma ação primeira efetuada pelo Senhor. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros...” (Jo 15.16); “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).

Conhecer a Deus é conhecer a Cristo. Quando Filipe pediu a Jesus, “mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, teve como resposta: “Há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.8-9). Não há conhecimento de Deus à parte do seu Filho, sendo inclusive esta, a experiência de Isaías no Antigo Testamento. Interpretando o que houve no templo, João afirma que o profeta “viu a glória dele [de Cristo] e falou a seu respeito” (Jo 12.41).

Esta deve ser também a mais alta prioridade na vida de cada ser humano, pois, como disse Jesus em sua oração sacerdotal, “a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Busque esse conhecimento com todo o coração, com toda força e com todo entendimento.

Milton Jr.

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